sábado, 31 de maio de 2008

Crianças - O futuro do presente


Viagem, Viagens*


Hoje viajei para dentro de mim e encontrei-te. Estás na mesma. O mesmo sorriso maroto, a mesma tristeza no olhar distraído numa ausência presente. Apeteceu-me beijar-te mas quando abri os olhos já tinhas partido.
Talvez te veja amanhã, na mesma esquina do meu coração. Com sorte, ainda te revejo mais algumas vezes, até desapareceres completamente da minha memória. Como uma folha levada pelo vento. Com leveza e sem rumo. Mas eu quero-te recordar, quero poder visitar-te sempre que me apetecer. E quero que estejas à minha espera. Com o mesmo sorriso maroto, a mesma tristeza no olhar distraído numa ausência presente. Não quero que partas. Fica. Fica para sempre. Por mais viagens que faça para dentro de mim, é a ti que te procuro ainda e sempre que te vejo é como se fosse pela primeira vez. E ao recordar revivo a nossa primeira viagem. Juntos éramos um só. Demasiado apaixonados para percebermos que era o início do fim. Às vezes preferia não te ter conhecido. Não ter conhecido o amor. Porque dói tanto ter-te só no pensamento. Estás impregnado na minha alma, como uma mancha que não sai. Resistes a tudo. É por isso que já desisti de te apagar. É por isso que te carrego sempre comigo na bagagem da vida. E é por isso que vivo da saudade de ti. Não quero que partas. Fica. Fica para sempre. Ao menos deixa-me ver-te sempre que me apetecer. Espera por mim na mesma esquina do meu coração. Por mais viagens que faça, é a ti que procuro ainda. Sempre tu. Só tu. Vivo da saudade de ti. Vivo da lembrança que tenho de ti. Não partas da minha memória. Se partires, reinvento-te outra vez, e outra vez. Já não vivo sem ti. Sem a lembrança de ti. Sem te recordar. Só a saudade de ti me alimenta. Como o pão nas mãos de um pedinte. Tenho tanta fome de ti. Tenho sede de ti. Dá-me o teu mar a beber. Não partas. Fica. Fica para sempre. O amor não envelhece. Estás na mesma, já te tinha dito? Amanhã quero ver-te na mesma esquina do meu coração à minha espera. Com uma rosa vermelha na mão, como da primeira vez. Vamos conversar, tenho tanto para dizer. Quero dizer-te tudo o que não te disse. Quero ir a todos os teus lugares que ficaram por visitar. Quero que descubras em mim os lugares que não chegaste a demorar-te. Fica. Fica para sempre. Não te quero apagar da memória. Resiste. Resiste a tudo. Como uma nódoa que teima em permanecer. Não te quero lavar da alma. Vivo da saudade de ti. Vivo de recordações. O que me mantém vivo é ter-te no pensamento. Sempre tu. Só tu.
És uma obsessão. É por isso que desisti de te apagar da memória. É por isso que te carrego sempre na bagagem da vida. Por mais que viaje para dentro de mim, é só a ti que te procuro. E é só a ti que quero encontrar. Intacto. Mesmo que não te consiga alcançar, ver-te apenas basta. Basta para me sossegar a alma. A alma que tem fome de ti, que tem sede de ti. Dá-me o teu mar a beber. Quero-te tanto. Não me canso de ti. Não me canso de te amar. O amor não envelhece. Fica. Fica para sempre dentro de mim. A cada viagem quero te ter à minha espera na mesma esquina do meu coração. Vivo apenas porque te sei vivo dentro de mim, como da primeira vez. Resiste. Resiste a tudo. Como a mãe agarrada a um filho que já partiu. Não partas. Não me deixes. Não desistas de mim. Habita o meu corpo, o meu pensamento e invade a minha alma. Deixo-te a porta aberta. Entra. Entra e fica. Fica. Fica para sempre dentro de mim. Amo-te. Amo-te como da primeira vez. Beija-me. Beija-me como se fosse a primeira e a última vez ao mesmo tempo. Como uma rajada de vento. Como um raio fulminante. Como uma tempestade de luz. De afecto. De emoção. De sentimento. Como da primeira vez. Entra e fecha a porta. Fica. Fica para sempre a habitar em mim. Porque te amo. É a ti que procuro ainda, de cada vez que viajo para dentro de mim. És a minha verdade. És a minha única verdade. Porque te amo. Só a ti. Mais do que a mim própria. Fica. Fica para sempre dentro de mim. Não partas.


*Texto enviado à Cais Letras (Viagem, viagens)

1 de Junho - Dia da Criança

Direitos da Criança: http://www.unicef.pt/

Se um dia soubesses o quanto pensei em ti
Se um dia soubesses o quanto sofri por ti
Se um dia soubesses o quanto te desejei
Talvez acreditasses que te amei.

sexta-feira, 30 de maio de 2008


Tenho saudades de ti comigo
Tenho saudades de mim contigo
Tenho saudades de nós
Agora posso dizer que fomos felizes.

"Tarde Demais - Uma história de amor online em 24 capítulos" - ÚLTIMO CAPÍTULO

Hoje Capítulo XXIV - Na praia

Para comemorar, nada melhor que um passeio na praia. De mãos dadas caminhamos os três na areia molhada da praia.
De repente, o Paulo ajoelha-se e pergunta-me: “Queres casar comigo… outra vez?” Emocionada respondo “Sim…outra vez”. O Lourenço solta uma gargalhada.
Lembro-me dos botões de punho guardados na gaveta e sorrio ao mesmo tempo que acaricio a minha barriga. Afinal, não é tarde demais!

quinta-feira, 29 de maio de 2008


Quando a vida desilude

É a ti que regresso

À procura de paz.
Enterrei as palavras.
Não há nada para dizer.
Já foi tudo dito.
Só o silêncio das palavras ausentes.

"Tarde Demais - Uma história de amor online em 24 capítulos"

Hoje Capítulo XXIII - É uma menina
Acordei meio atordoada. O Lourenço dorme tranquilo a meu lado. Desço para tomar o pequeno-almoço. A Luísa já se movimenta na cozinha atarefada. “Bom dia.” “Bom dia Drª. conseguiu dormir?” “Pouco. Estou cheia de fome” “Deixe-me adivinhar: banana frita…” “É isso mesmo Luísa.”
Quando estava grávida do Lourenço comia frequentemente uvas, pelos menos, nas primeiras semanas de gravidez, depois passaram-me os desejos. Será que desta vez também vai acontecer o mesmo?
“Bom dia.” “Bom dia Lourenço.” “Mãe, sonhei que estavas grávida ou é mesmo verdade?” “É verdade filho.” “É menino?” “Ainda não sei o sexo do bebé. Talvez se consiga saber na próxima ecografia.” “Quando é que fazes a próxima?” “Daqui a duas semanas.” “Preferias ter uma irmã ou um irmão?” “Um irmão, é claro!”
É engraçado, sinto o Lourenço fascinado com a ideia de ter um irmão. Receei eventuais ciúmes. “Posso contar ao Francisco?” “Para já não filho, peço-te para só contares depois da próxima ecografia.” “Porquê?” “Por precaução. As primeiras 12 semanas de gravidez são fundamentais para o desenvolvimento do feto, compreendes?” “Sim mãe, como quiseres. Mãe, o pai não gostou da novidade? Foi por isso que se zangaram ontem à noite?” “Lourenço, o teu pai ficou muito contente com a notícia. Não te quero ver preocupado com assuntos de adultos, um dia vais compreender. Agora termina os teus cereais”.
As duas semanas passaram a correr. A minha barriga está cada vez mais saliente. Hoje é dia de ecografia. O Lourenço pediu para me acompanhar e eu concordei. Vou buscá-lo à escola como sempre e depois seguimos juntos para o consultório.
A Joana almoçou comigo e já está ao corrente do sucedido. Não se conteve e deu uma enorme gargalhada. Aconselhou-me a perdoar o Paulo por achar natural que a dúvida surgisse, já que a minha aventura com o Jaime coincidiu com a nossa reaproximação. Tenho que lhe dar uma certa razão. Mas custou-me muito ouvir o Paulo, num momento mágico como aquele, questionar a paternidade. Desde então não falámos. Telefonou várias vezes mas recusei-me sempre a falar com ele. O Lourenço insistiu diversas vezes para eu dar uma hipótese ao pai, mas eu mantive-me inflexível. Até a Luísa intercedeu a favor do Paulo, sem sucesso.
Já no consultório, aguardo pacientemente pela minha vez. O Lourenço mostra-se irrequieto e não pára de se mexer na cadeira. “O que é que se passa filho?” “Nada mãe.” No momento em que chamam o meu nome para entrar, irrompe pela sala de espera o Paulo. “Peço desculpa pelo atraso.” “O que é que estás aqui a fazer?” “Como? O Lourenço deu-me o teu recado.” “Qual recado? Lourenço?” “Mãe, não te zangues comigo. É melhor entrarmos, já te chamaram duas vezes”.
E foi assim que assistimos os três à ecografia. Chorei de emoção ao ouvir a médica dizer “É uma menina”. Já sabia Lua.

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Revista Criatura


Lançada no mês de Abril, a revista Criatura, uma audaz iniciativa do Núcleo Autónomo Calíope da Faculdade de Direito de Lisboa (com o apoio da Associação Académica), logo nas primeiras páginas, desafia o leitor: “Sê aquele que alimenta uma criação em movimento, a criatura”.
Associo-me a este movimento que defende a escrita pela escrita, porque também eu sinto que faço parte da “Geração do Silêncio”.
Para os eventuais interessados nesta revista, deixo o respectivo contacto: revista.criatura@gmail.com

Homenagem a Sydney Pollack


Morreu ontem aos 73 anos o realizador de “África Minha” (1985), um filme (um dos meus preferidos) que deixa uma marca indelével na história do cinema.
O mundo das artes ficou mais pobre.
Adeus e até sempre…

"Tarde Demais - Uma história de amor online em 24 capítulos"

Hoje Capítulo XXII - Estou grávida
No aeroporto sinto-me nervosa com a espera. Será que vão reparar na minha barriga?
Já os vejo. Corro a abraçar o Lourenço, e desfaço-me em lágrimas. Depois o Francisco e finalmente o Paulo, um abraço meigo. Apetecia-me ficar assim, nos teus braços, para sempre.
No regresso a casa conversamos animadamente no carro. O Lourenço não pára de falar na viagem. Está visivelmente encantado. O Paulo também não esconde a emoção. E eu sinto-me nas nuvens. A flutuar.
A Luísa espera-nos à porta de casa. Com um grande sorriso nos lábios. Até conseguiu ser simpática para o Paulo. Sentámo-nos a comer e a conversar pela noite fora. O Paulo insistiu para eu beber um copo de vinho tinto, sem desconfiar que não posso beber. O Lourenço já acusa algum cansaço e acaba por adormecer no sofá. O Paulo leva-o ao colo para a cama. E ambos ficamos estarrecidos a olhar para o nosso filho a dormir tranquilamente. Depois instintivamente olhamos um para o outro com imensa ternura. O Paulo aproxima-se de mim e acaricia-me o rosto. Fecho os olhos à espera de um beijo. Amo-te, diz-me. Abro os olhos e respondo: amo-te e é só então que me oferece o tão desejado beijo. Conduzo-o habilmente ao nosso quarto, que nunca deixou de ser nosso e é já na nossa cama, que nunca deixou de ser nossa, que confesso emocionada, depois de fazermos amor: “Estou grávida”.
O Paulo abraça-me demoradamente e repete várias vezes: Amo-te, Amo-te, Amo-te. As lágrimas correm-lhe pelo rosto extasiado e eu delicio-me com este momento de intensa felicidade.
Ficamos abraçados durante longo tempo em silêncio sem nos preocuparmos com a ausência das palavras, porque os nossos corpos entendem o dialecto do amor. Teria sido perfeito se o Paulo não tivesse quebrado o encantamento com a dúvida: “Tens a certeza que é meu?”
“Faz alguma diferença?” Expulsei-o do nosso quarto aos berros “Nunca mais te quero ver”.
O Lourenço que dormia tranquilo no seu quarto, acordou sobressaltado e assomou à porta, tal como a Luísa.
O Paulo a pedir “Desculpa” e eu agitada a repetir nervosamente: “Nunca mais te quero ver”. A Luísa tentava acalmar a situação, lembrando que “A Drª. não se pode enervar por causa do bebé”. O Lourenço confuso interrogava-se: “Qual bebé?” O Paulo finalmente acedeu a sair. A Luísa foi a correr buscar um copo de água e o Lourenço, abraçado a mim, escutava atónito a novidade: “Estou grávida".

terça-feira, 27 de maio de 2008


Se eu fosse uma palavra seria Amor

Se eu fosse uma palavra seria Amor
Para resgatar da noite os adormecidos
E dar alento aos que se sentem sós e perdidos.

Se eu fosse uma palavra seria Amor
Para ser vivida com intensidade
E revelar toda a verdade
Escondida no choro da saudade.

Se eu fosse uma palavra seria Amor
Para ser a eleita dos apaixonados
E influenciar todos os fados.
Para ser a musa dos poetas
E despertar a inspiração dos profetas.

Se eu fosse uma palavra seria Amor
Para derrubar as certezas
E despoletar os sonhos.

Se eu fosse uma palavra seria Amor
Para provocar desassossego
Para perturbar o silêncio
E inquietar a alma.

Se eu fosse uma palavra seria Amor
Para desafiar a morte e vencer.

78ª. Feira do Livro de Lisboa

Parque Eduardo VII
De 24 de Maio a 15 de Junho 2008

Para saber mais: http://www.feiradolivrodelisboa.pt/

"Tarde Demais - Uma história de amor online em 24 capítulos"

Hoje Capítulo XXI - Saudades
Nunca pensei que era possível ter tantas saudades. Falei com o Lourenço todos os dias, às vezes mais do que uma vez. Chegam amanhã à noite. Já pedi à Luísa para caprichar no jantar. A ementa especial para a ocasião inclui bife com batatas fritas, o prato preferido do Lourenço e arroz doce, a sobremesa preferida do Paulo.
Durante a ausência do Lourenço aproveitei para, com a ajuda da Luísa, fazer uma limpeza geral ao seu quarto. Foi uma das formas que encontrei para suportar as saudades do meu filho. A Luísa aconselhou-me a não fazer grandes esforços, tendo em conta o meu estado de graça. Ainda nos rimos bastante as duas e acabámos abraçadas a chorar de alegria. Também já contei a novidade à Joana. Ficou excitadíssima com a notícia: “Parabéns Ísis. Mas sabes quem é o pai?” “Eu sou de certeza a mãe!” A seguir, fomos comprar as primeiras roupinhas para o bebé. É claro que a Joana vai ser a madrinha. Mas ainda não sabe. Tudo a seu tempo.
Aproveitei para comprar algumas roupas pré-mamã. A minha roupa já não me serve. A minha cintura desapareceu. E já se vai começando a notar a barriguinha. Lá no escritório ainda ninguém deu por nada. Mas já decidi que depois da próxima ecografia anuncio a gravidez aos familiares e amigos mais próximos. Mas antes, tenho que contar ao Paulo e ao Lourenço.

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Volto agora ao real
Volto agora à luta
Volto agora aonde não pertenço
Volto à minha vida.

"Tarde Demais - Uma história de amor online em 24 capítulos"

Hoje Capítulo XX - A viagem
“Acorda filho, senão ainda perdes o avião. O teu pai já deve estar a chegar”.
“Olá Paulo.”
“Olá Ísis.”
“O Lourenço está quase pronto. A mala está ali.”
“Vou pondo a mala no carro.”
“Paulo.”
“Sim?”
“Boa viagem!”
“Vai correr tudo bem, não te preocupes. Assim que aterrarmos, ligamos.”
“Combinado.”
“Filho tem cuidado e faz o que o teu pai disser.”
“Está bem mãe.”
Sinto o coração apertado. Muito apertado. Detesto despedidas. É por isso que não os acompanho ao aeroporto.
O telefone toca e do outro lado a voz do Paulo: “Chegámos bem a Paris. A viagem correu optimamente. Vou passar ao Lourenço”.
“Paulo.”
“Sim?”
“Um beijo.”
“Outro para ti.”
“Mãe, isto é lindo!”
“Ainda não vistes nada filho. Um beijo grande.”
“Um beijo mãe e não te esqueças de ligar à mãe do Francisco.”
Gostava muito de estar com eles. Adormeço a sonhar com Paris.

domingo, 25 de maio de 2008

“Palavras Criativas” faz hoje um mês


Parece que foi ontem, mas já passou um mês desde o lançamento deste blog.
Tem-me dado um prazer imenso partilhar consigo a minha “criatividade”.
Agradeço a sua preferência.
Vamos continuar a nossa viagem sem destino?
Conto consigo. Hoje e sempre.
Faltou-me o sonho para ser poeta
Faltou-me o azul para ser céu
Faltou-me o chão para ser terra
Faltou-me a leveza para ser ar
Faltou-me a sede para ser água
Faltou-me a fome para ser pão
Faltou-me acreditar.

Quase fui poeta quando sonhei acordada
Quase fui céu quando me vesti de azul
Quase fui terra quando pisei o chão
Quase fui ar quando tentei voar
Quase fui água quando derramei lágrimas
Quase fui pão quando saciei a vontade
Quase acreditei.

"Tarde Demais - Uma história de amor online em 24 capítulos"

Hoje Capítulo XIX - A primeira ecografia
“Ísis está tudo bem com o seu bebé”. “Ainda bem Drª. A próxima ecografia é às 12 semanas?” “Exactamente. Ainda se lembra? O Lourenço já vai fazer onze anos, não é? Como é que ele está?”. “Está um homenzinho.”
Lembro-me da primeira ecografia do Lourenço, eu e o Paulo estávamos tão emocionados. Irradiávamos felicidade.
“Luísa ainda há bananas?” “Não, comeu a última ontem à noite. Consegue aguentar até amanhã sem comer uma banana frita?” Solto uma gargalhada cúmplice. A Luísa já sabe. É claro que sabe.
Ajudo o Lourenço a fazer as malas e aproveito para lhe dizer que o amo muito e que tenho pena de não o acompanhar nesta viagem especial. O meu filho dá-me um abraço forte e sentido e confessa que lhe vai custar muito estar longe de mim, sobretudo no dia dos anos. No entanto, sossega-me garantindo que telefonará todos os dias. Nunca estivemos separados mais do que um fim-de-semana.
Vou sentir muito a tua falta meu filho.

sábado, 24 de maio de 2008

Gil do Carmo - SISAL


Destaque para o tema “Na maré de ti”: feche os olhos e entre pelo mar adentro.

Não vive quem foge do amor para não sofrer
Não vive quem evita a emoção para escapar à dor
Não vive quem procura a solidão por recear os outros
Não vive quem desiste dos sonhos por não ter esperança
Não vive quem tem medo de ser feliz.

Vive quem elege o amor pelo turbilhão de sentimentos
Vive quem desafia a paixão pelo prazer do desejo
Vive quem partilha o pão por amor ao próximo
Vive quem dá forma aos sonhos por acreditar ser possível
Vive quem corre atrás da felicidade.

"Tarde Demais - Uma história de amor online em 24 capítulos"

Hoje Capítulo XVIII - Um bebé
O Lourenço e a Luísa andam ambos amuados comigo. O Paulo nunca mais deu sinal de vida. Ainda lhe telefonei para desfazer algum malentendido, mas não atende os meus telefonemas.
Tenho passado a maior parte do meu tempo livre a ler. E a dormir. Ando sempre muito ensonada e não me sinto lá muito bem. Tenho que dar mais atenção à minha saúde. Amanhã vou fazer análises. Nem me passou pela cabeça que poderia estar grávida, só quando fui levantar os resultados é que me apercebi do meu estado de graça! Mais uma gravidez totalmente inesperada. A história repete-se. Sinto-me feliz e preocupada simultaneamente. Não tenho dúvidas que o bebé é do Paulo. E agora? Um bebé. Um bebé fruto de uma noite mágica de amor verdadeiro. Sinto-me abençoada. Estou com cerca de oito semanas. Não se nota nada. Tenho que marcar a primeira ecografia. A flutuar. Decidi não contar nada a ninguém. Por enquanto. Nem sequer à Joana. Vai ser um segredo só meu. E do meu bebé. Será menino ou menina? Acho que é uma menina. Chamar-se-á Lua.
O Lourenço e o pai já marcaram a viagem. Partem na próxima semana e levam o Francisco na bagagem! Pela primeira vez não estarei presente num aniversário do meu filho. Vou morrer de saudades mas são só uns dias. Vai ser bom para todos nós.
Quanto à minha gravidez, acho que a Luísa anda desconfiada. Tenho tido uma vontade enorme de comer banana frita. A todas as horas. A continuar assim vou ficar uma bola!
Amanhã à tarde faço a primeira ecografia. Estou ansiosa. Espero que o meu bebé esteja bem.

sexta-feira, 23 de maio de 2008

Dá-me a tua mão.
Vem comigo ver as estrelas
Correr atrás dos sonhos
Vem comigo dançar à luz da lua
Descobrir o segredo do meu corpo
Vem comigo e fica para sempre.
Não digas que não.
Dá-me a tua mão.

"Tarde Demais - Uma história de amor online em 24 capítulos"

Hoje Capítulo XVII - Ciúmes
O Paulo apareceu lá em casa sem avisar. Com um enorme ramo de rosas vermelhas. O Lourenço está nas nuvens com a nossa recente reaproximação. A Luísa olha para esta nova situação com enorme desconfiança. E eu sinto-me a rebentar de dúvidas.
“Drª. Ísis é o Jaime ao telefone” “Está. Olá tudo bem? Não, hoje não posso. Posso ligar-te mais tarde? Até logo”.
“Já vi que estou a mais”, disse o Paulo. Atirou as rosas para o chão e saiu porta fora. O Lourenço matou-me com o olhar antes de fugir para o seu quarto a chorar e a Luísa abanou a cabeça, em sinal de reprovação. Corri atrás do Paulo. “Paulo espera!”
“Quem é o Jaime?”
“É um pintor que conheci em casa da Joana.”
“O que é que há entre vocês?”
“Nada.”
“Não é o que parece. Foste para a cama com ele?”
“O que é que isso interessa?”
“Já respondeste.”
“Não tens nada a ver com isso. Não te devo explicações”.
“E a noite de ontem?”
“Não sei.”
“Então é melhor ficarmos por aqui. Boa noite e boa sorte com o Jaime.”
“Paulo espera.” Agora é que estou definitivamente metida numa grande alhada.
Telefonei ao Jaime e expliquei-lhe que apesar de ter gostado muito de estar com ele a nossa relação não tinha qualquer futuro porque estou apaixonada pelo meu ex-marido. Não reagiu mal. Perguntou-me apenas se não iríamos estar mais vezes juntos. Claro que não. Sexo sem amor não é para mim.

quinta-feira, 22 de maio de 2008

Morrer devagarinho por dentro


O que nos mata devagarinho por dentro é não viver a loucura do momento, é a angústia de não experimentar o fruto proibido, é a melancolia da saudade de um beijo, é o abismo da paixão impossível.

O que nos mata devagarinho por dentro são os sonhos desfeitos no caminho da vida.

O que nos mata devagarinho por dentro é o vazio provocado por um desejo apagado, é a negação da vontade escondida num olhar, é a impotência para agarrar a beleza perdida no tempo.

O que nos mata devagarinho por dentro é a ausência da aventura de ser.

Poema dedicado a Luís Filipe Pereira


Palavras de poeta

O poeta vive de palavras
As palavras são o alimento do poeta.

O poeta dá corpo às palavras
As palavras são a alma do poeta.

O poeta atribui sentido às palavras
As palavras ganham vida nas mãos do poeta.

O poeta reinventa as palavras
As palavras são as musas do poeta.

O poeta sente-se órfão sem palavras
As palavras nascem do poeta.

O poeta ilumina as palavras
As palavras são o sol do poeta.

O poeta faz amor com as palavras
As palavras são as amantes do poeta.

Amar-te em segredo não é fácil


Reprimir o desejo de ti
Afastar-te do pensamento
Despir-me da tua pele

Amar-te em segredo não é fácil

Silenciar o eco da tua voz
Apagar-te da memória do meu corpo
Arrancar-te dos meus sonhos

Amar-te em segredo não é fácil

Sofrer rindo da dor de não te ter
Amar negando o sentimento
Sufocar o grito da saudade

Amar-te em segredo não é fácil
Sonho que da guerra brotou paz.
Sonho que da indiferença nasceu solidariedade.
Sonho que da fome se fez pão.
Sonho que do silêncio cresceram vozes.
Sonho que de mim se acendeu a esperança.

"Tarde Demais - Uma história de amor online em 24 capítulos"

Hoje Capítulo XVI - Nós
Acordei abraçada a ti e imediatamente pensei: e agora? Nada disto estava planeado. Pura e simplesmente aconteceu. Vou sair sem fazer barulho para não te acordar. Prefiro contemplar-te a dormir serenamente.
De regresso a casa sou surpreendida pela Luísa “Bom dia Drª.” “Bom dia Luísa”. Sinto-me uma criança apanhada em falso. Sinto-me bem. Tomo um duche rápido, visto-me e desço para tomar o pequeno-almoço. O Lourenço já está a beber o leite e assim que me vê, pergunta: “Mãe, tu e o pai voltaram?” Não respondo. Nem eu própria sei a resposta. Um turbilhão de sentimentos e pensamentos. “Já estamos atrasados Lourenço”. Deixo-o na escola e sigo para o trabalho. Mais um dia de trabalho. Mas é como se não estivesse no escritório. O meu pensamento voa e sorrio ao recordar a noite passada.
O Paulo já me ligou diversas vezes mas não tive coragem para atender. Não sei como lidar com esta nova situação. O Jaime também já me ligou algumas vezes. Que confusão! Telefonei à Joana, a minha confidente e pedi-lhe para vir almoçar comigo.
A Joana nem quer acreditar no que ouviu. “Meu Deus, que grande complicação! Numa noite o Jaime e na noite seguinte o Paulo…” “Joana, por favor, preciso de ajuda” “E eu é que tenho a fama!” Ri-me com vontade. Só a Joana me faria rir num momento como este. Sinto-me numa encruzilhada. “O que é que eu faço?” A Joana, prática como sempre, dispara: “Despachas o Jaime e voltas para o Paulo”. Como se fosse assim tão simples. Voltar para o Paulo. Nunca o deixei de amar. Mas é preciso mais. Não é uma noite de amor, ainda que verdadeiramente mágica como a de ontem, que vai alterar tudo o que se passou. “O teu problema Ísis é que racionalizas demasiado as situações. Os afectos não se explicam, sentem-se e pronto. E tu, ainda que te recuses a confessar, amas o Paulo”. A Joana conhece-me muito bem e tem toda a razão, às vezes devia reflectir menos e amar mais, mas sou assim. Mais racional que emotiva. Muitas vezes sinto que devia ser menos exigente com os outros e comigo própria e ter a capacidade de transgredir sem ter de me justificar. Mas sou como sou e não é aos 40 anos que vou mudar, ou será que estou redondamente enganada? Mais uma vez me questiono, é tarde demais para mudar ou cedo demais para me acomodar? Eu e o Paulo, nós fazemos muito sentido juntos. Amamo-nos demasiado para ignorar esse sentimento. Mas estamos divorciados, e agora de repente vamos voltar a ser um casal, como me perguntou esta manhã o Lourenço? Será que é assim tão simples? Lá estou eu com mais dúvidas do que certezas…

quarta-feira, 21 de maio de 2008

ANEM - I Concurso de Poesia “Amar o Próximo”

Resultados desta iniciativa da Associação Nacional de Esclerose Múltipla (ANEM) disponíveis em: http://www.anem.org.pt/concursopoesia.htm
Quando é que páro de perseguir a perfeição?
Quando já não admirar a lua.

Quando é que páro de sonhar acordada?
Quando já não olhar para o céu.

Quando é que páro de desejar o impossível?
Quando já não ambicionar as estrelas.

Quando é que páro de te amar?
Quando já não viver.

"Tarde Demais - Uma história de amor online em 24 capítulos"

Hoje Capítulo XV - Ruca
“É o Dr. Paulo ao telefone. Diz que é urgente” “Está. Aconteceu alguma coisa?” “O Ruca morreu.” “O quê?” “O Ruca, ontem à noite adormeceu tranquilamente aos pés da minha cama e esta manhã não acordou.” “Foi-se como um passarinho.” “Sim, pelo menos não sofreu.” “Vais enterrá-lo?” “Sim, acho que a praia onde nos conhecemos seria o local ideal.” “Boa ideia.” “Vens comigo?” “Claro. E o nosso filho?” “Acho que também vai querer participar.” “Também acho. Então, até já.”
O Paulo ficou muito abatido. O Ruca foi muito mais do que um simples cão. Um companheiro inseparável, desde o primeiro minuto.
O Lourenço também ficou muito triste. Talvez para o compensar, no carro, de regresso a casa, o Paulo lhe tenha falado na viagem à EuroDisney. O Lourenço ficou excitadíssimo e perguntou logo se podia levar o Francisco.
Deixámos o nosso filho em casa com a Luísa e fomos dar uma volta de carro só os dois. Eu e o Paulo. Sem destino. Sem palavras. A música bem alta a preencher o silêncio. Não sei quanto tempo levámos a chegar a casa do Paulo ali tão perto. Sei que não foi preciso falar. Limitei-me a segui-lo. Entrei pela primeira vez no seu apartamento e no entanto, pareceu-me familiar. Senti-me em casa. Pegou-me ao colo e levou-me para o quarto. Deitou-me sobre a cama e lentamente despiu-me. Por cada peça de roupa despida deu-me um beijo em troca. Cobriu-me de carícias. Todo o meu corpo a arder de desejo lhe pedia para entrar. E ele compreendendo entrou para dentro de mim num impulso. E murmurou-me ao ouvido: Amo-te Ísis e eu num sussurro: Amo-te Paulo. E naquele instante senti um prazer avassalador como nunca antes havia experimentado. E chorei. Chorei de prazer de amor. Já tinha tantas saudades tuas, do teu cheiro, do teu corpo sobre o meu, da intensidade dos teus beijos, da força do desejo. Já tinha tantas saudades do nosso amor, de mim nos teus braços. E foi assim que adormeci, tranquilamente, nos teus braços.

terça-feira, 20 de maio de 2008

Para quê voar
Se não tenho asas?

Para quê sonhar
Se tenho de acordar?

Para quê amar
Se amar é sofrer?

Para quê querer
Se não posso ter?

Para quê mentir
Se conheço a verdade?

Para quê gritar
Se ninguém me ouve?

Para quê morrer
Se quero viver?

"Tarde Demais - Uma história de amor online em 24 capítulos"

Hoje Capítulo XIV - O jantar
O jantar com o Jaime é hoje. Não estou com muita vontade. Aceitei mais para provocar o Paulo. Ainda assim não posso deixar de ir. A Joana insistiu tanto. Acho que tem razão, vai-me fazer bem este encontro.
Foi agradável. Jantar à luz das velas, bem regado por um maravilhoso vinho tinto. Conversa interessante. Ambiente requintado mas descontraído. Acabei a noite debaixo dos lençóis do Jaime num apartamento pequeno mas acolhedor. Finalmente percebo o que é ter sexo sem amor. É muito bom viver o momento de prazer, mas e depois? Senti um vazio enorme ao chegar a casa. Não fui talhada para aventuras inconsequentes. No entanto, tenho que admitir que o sexo foi bom. Tenho vontade de dormir. Hoje a cama não parece nem grande nem fria.
“Então Ísis, como foi?” “Foi bom Joana, muito bom.” “Eu não te disse?” “Sim tinhas razão.” “Não te sinto entusiasmada.” “Foi uma noite óptima, nada mais.” “Não vão continuar a sair?” “Não, não estou interessada.” “Ainda estás apaixonada pelo Paulo?” Recuso-me a responder. Sim. Ainda estou apaixonada pelo Paulo. Tenho tentado esquecê-lo mas não consigo. É mais forte do que eu. Sinto saudades do Paulo. Sinto vontade de estar com ele. Sinto desejo por ele. Sonho constantemente com ele. Penso incessantemente nele. Não consigo desligar-me. É um amor para toda a vida. Como nos filmes mas bem real. Sofro por amá-lo. Assim tão intensamente. Desesperadamente até. Não tenho vergonha na cara, depois do que aconteceu. Mas a verdade é só uma e é esta: amo-te Paulo…
Fazes parte de mim. Não posso arrancar-te de mim, como uma erva daninha. Como é que se deixa de amar alguém só porque tem de ser? Como apagar da memória um amor tão forte?

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Amo-te
Mais pelo que podias ter sido
Ontem do que és hoje.

Teimo em
Encontrar-me em ti.

Mas sinto-me tão perdida
Ainda sofro muito com a desilusão.
Inventei-te para mim e afinal
Só pertences a ti próprio.

"Tarde Demais - Uma história de amor online em 24 capítulos"

Hoje Capítulo XIII - O almoço
E as horas que não passam. Finalmente o almoço. Num restaurante perto do meu escritório, o Paulo já me espera naquela que em tempos foi a nossa mesa. “Olá Paulo” “Olá Ísis” “Já pedi o arroz de polvo, fiz bem?” “Claro que sim.” “O que é que me querias dizer sobre o Lourenço?” “Estive a pensar. O Lourenço tem andado muito desanimado, podíamos aproveitar o 11º aniversário do nosso filho para o levar finalmente à EuroDisney. O que é que achas?” “Por mim tudo bem. Se o quiseres levar.” “Acho que não estás a perceber. A minha proposta é obviamente extensiva a ti”. “Como?” “Não aprovas a ideia?” “Não faz sentido irmos os três.” “Porquê?” “Tu sabes bem porquê”.
O arroz de polvo está delicioso, como sempre. É bom estar aqui outra vez com o Paulo. Continua irresistível. O sorriso sedutor e o olhar intenso que me atraíram desde o primeiro minuto. Não consigo disfarçar o desejo. Olha-me como se fosse transparente. “Vamos tomar o café em minha casa?” “Não posso. Tenho uma reunião da parte da tarde”. Como é fácil mentir. O difícil é resistir a tanto charme, mas é melhor assim. Absorta em pensamentos obscenos nem reparo que o meu telemóvel está a tocar. “Não atendes?” “Está. Olá Jaime, tudo bem?” “Jantar amanhã? Está bem. Vais-me buscar a que horas? Combinado”. O Paulo não disfarçou o desagrado, pediu a conta e despediu-se apressadamente. Será que ficou com ciúmes? A simples ideia de ter provocado ciúmes ao Paulo agrada-me bastante. Pelos vistos, eu também ainda mexo com ele.
Não resisto a contar a novidade ao Lourenço. “Filho, almocei hoje com o teu pai. Ele está a preparar uma grande surpresa para o teu aniversário”. “A sério, mãe?” “Sim, mas não vamos estragar a surpresa, em breve o teu pai vai falar contigo” “Está bem mãe”.
Finalmente vejo o Lourenço entusiasmado com alguma coisa. Que bom. A ideia do Paulo talvez resulte.

domingo, 18 de maio de 2008

A propósito da cantora cabo-verdiana MAYRA ANDRADE


Quando o poema abana as asas, soltam-se melodias de luz.
Em Portugal a 11 de Julho, em Oeiras no Festival Cool Jazz.

"A matéria do poema" de Nuno Júdice


Já leu o novo livro de Nuno Júdice "A matéria do poema" (Publicações Dom Quixote)?
Leia, vai valer a pena!

Beijei-te. Recusaste.
Falei-te. Ignoraste.
Aproximei-me. Fugiste.
Chamei-te. Olhaste.
Sorri-te. Deixaste-me.

A propósito do DIA INTERNACIONAL DE MUSEUS

Dia Internacional dos Museus subordinado ao tema “Museus como agentes de mudança social e desenvolvimento".
O ICOM – Conselho Internacional de Museus - propõe que os museus reflictam sobre o seu papel social e ético na comunidade, e sugere que desenvolvam parcerias com as organizações e promovam o diálogo nas questões sociais e culturais.

Fonte e acesso à agenda de actividades: http://www.ipmuseus.pt/pt/noticias/N29018/TA.aspx

"Tarde Demais - Uma história de amor online em 24 capítulos"

Hoje Capítulo XII - A festa
Este sábado, foi totalmente dedicado a mim. Até cortei o cabelo. É mais fácil mudar por fora do que por dentro! Quando entrei em casa, o Lourenço ficou espantado a olhar para mim “Mãe estás fantástica”. É tão bom ouvir um elogio sincero e espontâneo do meu filho, estava a precisar. A Luísa também me fez bem ao ego “Está muito bonita Drª. Ísis”. De facto, sinto-me bem. Muito bem. Vou tomar um duche e vestir-me, não quero chegar atrasada à festa.
“Drª. Ísis, é o Dr. Paulo”. “Então, passe-me o telefone”. “Não, ele está lá em baixo. Se quiser, peço-lhe para voltar noutro dia.” “Deixe estar, diga-lhe que desço já”. Meu Deus, logo hoje. “Olá Paulo.” “Olá Ísis, estás linda!” “Obrigada”. “Não devia ter vindo sem avisar. Vais sair?” “Sim, mas ainda tenho alguns minutos”. “Queria falar-te do Lourenço. Podemos almoçar na segunda-feira?” “Sim, fica combinado”. Que sensação mais estranha ver o Paulo depois de tantos meses. Parece estar bem. E ainda mexe muito comigo. Como é possível, depois de tudo o que se passou…“Até logo, Luísa”. “Até logo Drª. divirta-se”.
Vou tentar. A casa da Joana está a abarrotar de gente. “Boa noite”. “Boa noite. Estava a ver que tinhas desistido, Ísis”. Se calhar teria sido melhor nem sequer ter aparecido. Assim que cheguei, tive a nítida sensação que não deveria ter vindo. Sinto-me deslocada. Sozinha no meio de uma multidão. “Ísis, quero apresentar-te uns amigos”. A noite até acabou por ser divertida, fartei-me de dançar. As festas da Joana costumam ser muito animadas. E esta não foi excepção. “Obrigada Joana. Gostei muito”. De regresso a casa sinto-me aliviada. Que bom este silêncio. Poder finalmente tirar os sapatos.
Conheci muitas pessoas, e tal como havia calculado, a Joana convidou os ex-namorados e serviu-os todos numa bandeja! Alguns até são bastante interessantes. Sobretudo o Jaime, um jovem pintor que passou a noite a falar comigo sobre arte. Acabámos por trocar os números de telemóvel, mas não me parece que vá ligar. É demasiado jovem. Agora vou-me deitar, sinto-me exausta.
Domingo, a rotina dos almoços nos meus pais e dos jantares nos meus sogros mantém-se. Para o Lourenço esta dose extra de mimo é muito importante. Sobretudo nesta fase. Sinto-o carente, apesar de tanto eu como o pai o cobrirmos de atenção e carinho. Também sinto-o cada vez mais triste, e o meu sentimento de culpabilidade cresce na mesma proporção. Será disto que o Paulo quer falar comigo amanhã ao almoço?
Estou tão ansiosa que tenho dificuldade em adormecer. O que é que vou levar vestido? Que disparate. Não se trata de um encontro mas de um almoço para debater questões estritamente familiares.

sábado, 17 de maio de 2008


Tu és o azul mar
Eu sou a terra castanha.

Tu és o amarelo sol
Eu sou a lua branca.

Tu és a vermelha maçã
Eu sou a laranja laranja.

Tu és a verde floresta
Eu sou a planta índigo.

Tu e eu raios ultravioleta
Juntos somos o arco-íris!

"Tarde Demais - Uma história de amor online em 24 capítulos"

Hoje Capítulo XI - Nova vida
Uma “nova” vida não surge de repente, vai acontecendo naturalmente. De manhã, levo o Lourenço à escola e depois sigo para o trabalho. Aproveito o almoço para reatar velhas amizades. No final da tarde, vou buscar o Lourenço à escola e regressamos juntos a casa. A Luísa prepara-nos o jantar e é nessa altura que pomos a conversa em dia. Depois do Lourenço ir para a cama, vou para o meu quarto e leio, vejo televisão e carrego o peso da solidão. A cama vazia, demasiado grande e fria. Sinto falta do Paulo. Aponto num diário improvisado o meu sentir e isso tem-me aliviado. Desde muito nova, tenho propensão para o sofrimento, às vezes, até parece que gosto de sofrer, que gosto de me sentir triste. A tristeza é um sentimento muito nobre mas dói. Sinto saudades do Paulo. O que estará a fazer neste momento? Será que pensa tanto em mim como eu penso nele? Ou será que já me esqueceu e partiu para uma nova conquista. Homem ou mulher? Nem quero pensar nisso, quero afastar estas ideias do meu pensamento e tentar dormir tranquila, sem fantasmas. Quero apenas viver o meu dia-a-dia serenamente.
A Joana tem sido uma grande amiga. Tem-me feito muita companhia e tem sabido respeitar o meu “luto” mas nos últimos tempos anda a falar demasiado em homens, oferecendo-se insistentemente para me facilitar encontros. Ainda não me sinto preparada para isso, e francamente não tenho vontade de conhecer nem estar com ninguém. Depois de dez anos de casamento fiel, pelo menos da minha parte, é complicado imaginar-me a seduzir e a ser seduzida por outro homem. É claro que sinto falta de sexo, de ser tocada, acariciada, beijada. Mas ainda não estou aberta a um novo relacionamento. Preciso de mais tempo. É por isso que não tenho vontade nenhuma de ir amanhã à festa da Joana. Desde que resolveu decretar o fim do meu “período de luto” que anda a preparar alguma. Provavelmente convidou para a festa todos os ex-namorados para proporcionar-me um leque mais diversificado de escolhas! Agora não há nada a fazer, é esperar para ver o que se vai passar amanhã na festa.

sexta-feira, 16 de maio de 2008

Nada sou
Nada fui
Nada serei
Sem ti.

Queria ver-te
por um minuto apenas
talvez
a dor de te querer
parasse.
Queria entrar no teu olhar e repousar na tua boca.
Queria descobrir o teu cheiro e invadir o teu corpo.
Queria desafiar o prazer e ser cúmplice no desejo.
Queria voar.

"Tarde Demais - Uma história de amor online em 24 capítulos"

Hoje Capítulo X - Recomeçar
Só o amor não chega. Ainda te amo Paulo mas perdi a confiança em ti. Esta sensação de ter vivido dez anos com um estranho. Afinal, quem és tu? Pensar que sabia tudo sobre ti... Sinto-me enganada. É assustador. Dez anos de meia verdade?
Tenho uma única certeza: amei-te e senti-me amada. Apesar de ultimamente me sentir particularmente insatisfeita, com vontade de fugir da minha própria vida, “certinha, direitinha e bem chatinha”, como diria a Joana.
Esta situação veio apenas acelerar o processo de mudança que já estava em curso. Dentro de mim. O desejo de recomeçar também presente no sonho do outro dia…Mas já não sou um bebé com toda uma vida pela frente, sou uma adulta de 40 anos. Como recomeçar? Enchi-me de coragem e desabafei com a Joana e senti-me muito melhor depois disso. Como sempre deu-me todo o seu apoio para enfrentar o que chamou de “período de luto”. Tem uma certa razão.
A Joana tem uma força extraordinária, foi por isso que lhe pedi, como amiga e colega advogada, para tratar do meu divórcio. “Ísis, tens a certeza que é isto que queres?” Sempre tive mais dúvidas do que certezas na minha vida. Mas não conseguiria manter o casamento com o Paulo, nem mesmo em nome do nosso filho. Coitado do Lourenço. Ficou devastado com a decisão de divórcio. O Paulo está a viver temporariamente num hotel, enquanto não terminam as obras do novo apartamento, estrategicamente situado perto de nossa casa, para, segundo ele, poder acompanhar melhor o filho. O Paulo finalmente arranjou tempo para levar o Lourenço à natação. No outro dia, o Lourenço gostou tanto de se exibir para o pai, que chegou radiante a casa. A Luísa não achou piada nenhuma, mas eu até me ri com esta ironia do destino. Tantas vezes desejei que o Paulo estivesse mais presente na vida familiar, e finalmente o meu desejo concretizou-se. Sinto que a relação entre pai e filho tem crescido a ponto de se notar uma certa cumplicidade entre eles.
A bem da verdade, nesta história, o mais afectado tem sido o cão! O Ruca tem andado muito infeliz por não poder viver com o dono no hotel. Mas em breve a sua vida vai melhorar, assim que se mudar para o novo apartamento do Paulo.
Agora oficialmente divorciados, eu e o Paulo podemos recomeçar as nossas vidas.

quinta-feira, 15 de maio de 2008


Respirar o prazer sensual dos teus poros, reconhecer em ti o mais intenso gozo espiritual e experimentar assim, a satisfação mais íntima...
Percorrer-te infinitamente com a boca e o pensamento e encontrar a origem do fluxo contínuo da verdade do teu Eu...
É da volúpia do teu ser que resulta a magia do meu sentir.

"Tarde Demais - Uma história de amor online em 24 capítulos"

Hoje Capítulo IX - Conversar
Não me sinto capaz de me levantar da cama. Não me sinto capaz de enfrentar o resto do mundo. Não consigo trabalhar. Refugio-me em casa.
“Bom dia Drª. Ísis. Trouxe-lhe o almoço”. “Obrigada Luísa, mas não me apetece comer nada”. “Faça um esforço Drª”. “Está bem, pode deixar a bandeja”. Não tenho vontade de comer. Não tenho vontade de fazer nada. Não consigo imaginar a minha vida daqui para a frente. A minha vida acabou. A vida que tinha desapareceu no instante em que vi o Paulo com aquele homem. Ainda não consigo acreditar no que vi. Não acredito que seja verdade. Só me apetece chorar. Como é que vou enfrentar isto? E o Lourenço?
A Luísa tem cuidado de mim e do Lourenço. O Paulo insiste em falar comigo mas tenho-me recusado a ouvi-lo. Nada do que disser poderá aliviar o meu sofrimento. Parte de mim morreu naquela noite. Nada voltará a ser como dantes. Mas tenho que falar com ele. Onde é que vou arranjar forças?
Liguei à Joana, mas faltou-me a coragem para lhe contar. Tenho que enfrentar esta situação sozinha. “Está Paulo. Precisamos conversar. Podes passar cá por casa mais tarde? Até logo.”
Tenho medo de o enfrentar. Tenho medo de o olhar nos olhos e deixar-me seduzir. Tenho medo de recuar na minha decisão. Tenho medo da influência que ainda possa exercer sobre mim, apesar de tudo.
“Olá Paulo.”
“Olá Ísis. O Lourenço?”
“O Lourenço está bem. Não se apercebeu de nada, felizmente. É óbvio que estranha o facto de não dormires cá em casa há mais de uma semana, mas disse-lhe que tinhas viajado em trabalho.”
“Eu amo-te, Ísis. O que presenciaste foi apenas sexo. Nada mais do que sexo”. “Paulo, tens noção do que estás a dizer? Não se trata de um simples caso de infidelidade. Traíste-me com um homem. Um homem.”
“Eu sei que parece estranho, mas tanto me sinto atraído por mulheres como por homens”.
“E quando é que tencionavas comunicar-me a tua bissexualidade? Somos marido e mulher há mais de dez anos. E eu, pelos vistos, nem sequer te conheço”.”
“Estou a confessá-lo agora. Eu amo-te, Ísis. Acredita”.
“Eu não consigo aceitar. Não consigo aceitar”.
“Se fosse uma mulher compreendias melhor e perdoavas-me?”
“Não sei.”
“Eu amo-te. Perdoa-me. Aquela noite não significou nada para mim”.
“Mas para mim fez toda a diferença. Quero o divórcio”.
“Eu sei que ainda me amas.”
“E eu sei que já não consigo viver contigo”.
“Tens a certeza?”
“Sim. A minha decisão está tomada.”

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Poesia no lançamento oficial da obra “Parque dos Poetas – Poesia, Escultura e Paisagem”

Um momento de poesia em jeito de tertúlia será o cenário do lançamento do livro “Parque dos Poetas – Poesia, Escultura e Paisagem”, que terá lugar no próximo sábado, dia 17 de Maio, às 18H00, na Livraria-Galeria Municipal Verney, em Oeiras.
As esculturas presentes nesta obra são da autoria de Francisco Simões e a arquitectura paisagística de Francisco Caldeira Martins e de Elsa Severino.
Manuel Alegre (Poeta), Jorge Castro (Poeta), Francisco Simões (Escultor), Jorge Lino (Juiz) e Roberto Durão (Militar) proclamam poemas da autoria dos Poetas David Mourão-Ferreira, António Ramos Rosa, Manuel Alegre e Sophia de Melo Breyner.
Fonte: http://www.cm-oeiras.pt/

Lançamento do Livro “Poemas do Sentir” de Maria Paula Marques e ilustrações de Cristina Drago, 11 de Maio de 2008



A convite da ilustradora, Cristina Drago, tive o prazer de assistir à apresentação do livro de Maria Paula Marques, que decorreu no Bairro Alto (Galeria de Arte Matos Ferreira), e dou-vos a conhecer um poema do qual gostei particularmente:


Creio que foi

Creio que foi o acaso, primeiro
Seguido de distracção
Depois um girar de rostos
Um roçar de olhos
Creio que a seguir foi o reparar
Não tenho a certeza
E depois foi o sorriso
Nascido da surpresa
Ou talvez do embaraço

Creio que foi a voz
A aliciar, a chamar
Para dentro do som
Creio que foi o olhar a colar-se
A puxar, a atrair para o seu centro
Creio que foi o roçar da pele
Casual, desprevenido
Que arregalou a alma

Creio que depois foi o abraço
A vontade do abraço
A força do dar, o calor do sentir
E creio que foi o beijo
Suave, receoso, depositado nos lábios
Convicto, colado à boca
Ansioso a sorver o espírito

Creio que foram os corpos
Desconhecidos, tímidos
Desajeitados, aventureiros
Atrevidos, sabidos, apaixonados
A conhecerem-se, a prometerem-se
A comprometerem-se

Creio que foram as almas
Espantadas, desconfiadas
Sonhadoras, apreensivas
Duvidosas, convictas
Almas dormentes mas acordadas

Creio que foram as vidas
Distraídas e atentas
Entristecidas mas crentes
Vidas com sonhos vencidos mas lutados
Espíritos resignados mas batalhadores
Emoções adormecidas mas atentas

Creio que foi a confissão
Do amor nascente
O aceitar a vida que se nos queira dar
O ceder ao caminho que se queira
Cumprir em nós, por nós, connosco
De certeza

Creio que foram as promessas
Promessas juvenis de corpos serôdios
Promessas de amor eterno
Iguais a outras crenças anteriores
A outros amores, também eternos
Promessa de vida no meu
No teu coração

E creio que foi a certeza
A convicção de que era este o caminho
Creio que foi isso, creio
Afinal, que foi apenas
O Amor

Maria Paula Marques
in Poemas do Sentir (com o apoio do Instituto Nacional de Estatística)
A mulher-criança
busca a magia perdida
na espiral do tempo.

Ela navega no alto mar dos múltiplos desejos
rumo à imortalidade.
E ele fica em terra.

"Tarde Demais - Uma história de amor online em 24 capítulos"

Hoje Capítulo VIII - Surpresa
Saio de casa sem dizer para onde vou. Guio que nem uma louca até ao atelier do Paulo. Não aguento esperar pelo elevador. Subo as escadas a correr. Uso as chaves que o Paulo me deu e entro sem fazer barulho. Não vejo luz. Que esquisito. Dirijo-me à sala do Paulo. Ninguém. As outras salas igualmente vazias. Mentiu. Não está no escritório a trabalhar. Parece-me que vejo luz na sala de reuniões. Gemidos? Não tenho coragem para entrar. Não tenho coragem. Mesmo assim empurro a porta, devagar. O meu coração bate cada vez mais depressa. Meu Deus. Meu Deus. Não pode ser. Não pode ser. O Paulo a fazer sexo com…um homem? Não é possível, não é possível. Devo ter gritado porque ambos olharam para mim perplexos. Não estão de certeza mais surpreendidos do que eu. Estou em estado de choque. Não sei o que fazer. Não estou preparada para isto. “Ísis. Ísis”. Desato a correr dali para fora. Nem controlo as minhas próprias pernas. Correm pelas escadas abaixo. Só quero fugir o mais depressa possível. Estou fora de mim. Completamente desvairada. Entro no carro e acelero. Descontrolada. A chorar. Desnorteada. Nem sei como é que consegui regressar a casa. A Luísa espera-me pacientemente de pijama e roupão sentada no sofá da sala de estar. Entro e deixo-me afundar no seu colo. Como uma criança. E choro. Choro desesperada.
Felizmente que o Lourenço já dorme tranquilo no seu quarto azul como o mar.

terça-feira, 13 de maio de 2008


O corpo na vã esperança de ser amado
mergulha no prazer ilusório
de uma paixão lúdica.
E volta arrependido
à alma fiel ao Amor.

"Tarde Demais - Uma história de amor online em 24 capítulos"

Hoje Capítulo VII - Passarinho verde
Dormi até mais tarde. Hoje sinto-me tão bem. E acho que se nota. Pelo menos a Joana, a minha melhor amiga apercebeu-se da minha energia positiva ao almoço.
A Joana é solteira. Namora, ou melhor dizendo, vai namorando e sente-se feliz assim. Eu costumo dizer-lhe para aproveitar bem a vida que leva, porque no dia em que se apaixonar a sério, tudo vai mudar. Ela ri-se de mim e assegura-me que só a paixão tem livre trânsito na sua vida. “Não quero ter a tua vida Ísis. Certinha, direitinha e bem chatinha”. Não me sinto ofendida. Afinal somos grandes amigas. Devemos ser sinceras uma com a outra. Reconheço que a Joana tem uma certa razão. A minha vida é de facto assim. Mas hoje sinto-me particularmente bem. Apetece-me prolongar no tempo esta sensação maravilhosa. Ainda sorrio por dentro e isso nota-se por fora. A Joana disse-me que estou com cara de quem viu passarinho verde. Não deixa de estar certa, tenho ouvido ao longo do dia o chilrear de passarinhos…
No regresso a casa, resolvo comprar uma lingerie nova. Ousada. Quero surpreender o Paulo esta noite. Também já reservei uma mesa para dois no nosso restaurante preferido.
“Olá Luísa. Hoje conte só com o Lourenço para jantar. Vou-me arranjar”. A Luísa sorri e regressa aos seus afazeres. Tomo um duche rápido e depois espalho creme por todo o corpo para ficar com a pele bem macia. Estreio a lingerie vermelha. Fica-me bem. Sinto-me poderosa com o vestido preto justo e bem decotado, oferecido há séculos pelo Paulo. Até se vai babar! Tenho de me despachar, e o Paulo que não chega. Se calhar é melhor telefonar-lhe, não, assim deixa de ser surpresa. “Mãe, o pai acabou de ligar do atelier a avisar que não vem jantar”. Só me apetece chorar. Vou-me despir e comer qualquer coisa em casa. Até tenho vergonha de olhar para a Luísa. Deve estar cheia de pena de mim. Não. Não me vou despir. Vou até ao atelier do Paulo. Agora.

segunda-feira, 12 de maio de 2008


A propósito do Dia Mundial da Fibromialgia e da Síndrome de Fadiga Crónica

Para assinalar este dia, é hoje lançado o novo livro sobre Fibromialgia «Viver Com Fibromialgia: A visão da doente e do médico» (Editora Gradiva) escrito pela jornalista Maria Elisa Domingues e pelo Prof. Jaime Branco (ambos membros da Myos – Associação Nacional Contra a Fibromialgia e Síndrome de Fadiga Crónica).

Para saber mais sobre Fibromialgia, consulte os sites
http://www.myos.pt/
e
http://www.medicosdeportugal.iol.pt/action/2/cnt_id/1839/

CAIS desperta consciências


Revista Cais
Um instrumento de capacitação para a participação de pessoas em situação de sem-abrigo.

Conhece a iniciativa CAIS LETRAS?

Envie o seu trabalho de escrita criativa para:
cais.letras@cais.pt

Até ao dia 5 do mês anterior.
Recepção dos trabalhos e selecção do texto do mês a cargo de Conceição Garcia (Coordenadora dos cursos de Escrita Criativa e de Guionismo no Nextart) e da CAIS.

Sobre o regulamento e outra informação contacte: 218369007; redaccao@cais.pt

REGULAMENTO PARA O CONCURSO CAIS LETRAS:

“Tendo preparado um espaço para abrigar os textos dos leitores, convidamo-lo a "fazer as malas" e com as letras por companhia, viajar pelo mundo da ficção. Conte-nos aquela história, guardada há tanto tempo que já ninguém sabe se terá mesmo acontecido. Envie-nos um conto com personagens que conhece tão bem que dá por si a pensar que gostaria de convidá-las para tomar café. Deixe-se embalar pelas palavras, deixe a pena correr.
Depois, basta retocar aqui e ali, contar as palavras e sem hesitar, deixá-las partir. Deste lado do CAIS aguardamos, de braços e olhos bem abertos."
Conceição Garcia, coordenadora da Escrever Escrever

· O texto (em prosa apenas) deve ser inédito e deve fazer-se acompanhar pelos dados pessoais do concorrente: nome, morada, e-mail e telefone.
· Cada concorrente poderá enviar apenas um único trabalho.
· O concurso é temático e o tema será anunciado previamente na Revista CAIS.
· O texto a concurso deverá ter um mínimo de 3000 caracteres e um máximo de 4000 (sem espaços).
· O texto seleccionado será publicado na revista CAIS.
· Os trabalhos terão que ser enviados para a CAIS até ao dia 5 de cada mês anterior à saída da Revista (ex: para a edição de Julho/Agosto enviar até dia 5 de Junho). O texto seleccionado será depois publicado no mês seguinte.
· A revista CAIS reserva-se o direito de utilização, parcial ou integral, dos trabalhos recebidos.
· Os textos a concurso deverão ser enviados para o seguinte e-mail ou morada:
Associação CAIS
Rua do Vale Formoso de Cima, 49 a 55
1950-265 Lisboa / cais.letras@cais.pt

E os próximos temas são:
- Julho/Agosto - Viagem, viagens
- Setembro – Recomeçar
- Outubro – E por falar em mudar a hora
- Novembro – Saudades
- Dezembro – Festas e festejos
- Janeiro – Calendários e agendas
- Fevereiro – Quando não chove em Fevereiro
- Março - Há cheiros
- Abril - Revolução, revoluções
- Maio – A trabalhar

Participe! Seja Positivo.

Para saber mais sobre a CAIS, consulte o site: http://www.cais.pt/

Fonte: Revista CAIS Maio 2008 “A Europa em Diálogo” e mensagem enviada pela Redacção da Cais

Por quem me toma, Senhor?
É Cavaleiro sem arma.
E vós quem sois?
Sou Rei.
Porquê?
Rei?
Não. Sem arma?
Tem?
Tenho.
Esconde face ao inimigo?
E devo mostrar?
Claro, a arma faz de si destemido Cavaleiro.
E eu, que faço da arma?
Mata!

"Tarde Demais - Uma história de amor online em 24 capítulos"

Hoje Capítulo VI - Na banheira
A noite em branco permitiu-me delinear a minha estratégia: da próxima vez que o Paulo telefonar a dizer que vai ficar no escritório até mais tarde, vou até lá. Está decidido!
Mais um dia de trabalho. Vou buscar o Lourenço à escola e a seguir as intermináveis compras para a casa. “Boa tarde Drª. Boa tarde menino”. “Boa tarde Luísa”. Gosto muito da Luísa. Está connosco desde que casámos. Já faz parte da família. Entendemo-nos muito bem. Adora o Lourenço e enche-o de mimos. Do Paulo nunca gostou muito. E não se preocupa muito em escondê-lo.
Está-me a apetecer um banho de imersão. Acendo umas quantas velas, encho a banheira de água bem quente e deixo-me ficar, cada vez mais relaxada. Por pouco não adormeço. “Boa noite”. “Boa noite. Chegaste mais cedo. Não queres vir tomar banho comigo?” Pergunto com algum receio da resposta. “Já venho ter contigo”. Ainda bem. Já tinha saudades de partilhar a banheira.
Não estava à espera daqueles beijos tão intensos, deixei-me levar pelas carícias. E sorri muito. Por dentro.
Olhei-me ao espelho e senti-me mais bonita. Fazer amor faz bem à pele e ainda melhor à alma.
Comi mais do que o costume ao jantar. Apeteceu-me beber um copo de vinho tinto. Fiquei ligeiramente tocada. Ri-me muito, nem sei bem de quê. Mas sei que me ri muito. O Lourenço até estranhou. “Mãe. O que é que se passa?” “Nada filho, apetece-me rir.” O Paulo olhou-me com um sorriso cúmplice. “São horas de ires para a cama, Lourenço”. Estou meia adormecida e o Paulo pega-me ao colo e leva-me para o nosso quarto sussurrando-me ao ouvido “Amo-te”.
Estou a sonhar ou aconteceu realmente? Um oásis no deserto que tem sido a minha vida.

domingo, 11 de maio de 2008

Lançamento do Livro de Poesia “As Vindimas da Noite” de Maria do Sameiro Barroso


A convite do autor do posfácio, Luís Filipe Pereira, tive o prazer de assistir hoje à apresentação do livro “As Vindimas da Noite” (editora Labirinto) de Maria Sameiro Barroso, que teve lugar no Museu Nacional de Arqueologia.

A inebriante apresentação da obra, a cargo do escritor e crítico literário Luís Filipe Pereira, foi precedida por um momento musical, do qual destaco “Valsa” do Ballet Cendrillon e Las Quejas de Maruja (José Corvelo – Canto e Ricardo Barceló – Guitarra Romântica).

De realçar ainda a leitura sentida de alguns poemas pela actriz Isabel Wolmar.

Respirei e senti poesia. Obrigada.

A propósito da notícia “Autarquia assina protocolo com Associação Salvador para tornar Lisboa “uma cidade acessível para todos”

A propósito desta notícia divulgada no site da Câmara Municipal de Lisboa www.cm-lisboa.pt, partilho convosco a mensagem que enviei a Salvador Mendes de Almeida em Janeiro de 2008:


Caro Salvador,

No outro dia, tive oportunidade de ver a sua entrevista na RTP1 (Judite de Sousa) e fiquei muito emocionada com o seu testemunho e senti-me envergonhada…

Emocionada por ver um jovem tetraplégico, com as inevitáveis limitações físicas que essa situação acarreta, falar tão abertamente de si e com tamanha simplicidade.

Envergonhada por, por vezes, sentir-me tão insatisfeita com a minha própria vida e tentada a simplesmente cruzar os braços e deixar-me levar pela rotina do dia-a-dia, sem lutar pelos meus sonhos.

Olhei para si, escutei as suas palavras imbuídas de uma pureza, de uma força e de uma verdade surpreendentes, e chorei.
Porque senti que a sua alma é livre contrariamente ao seu corpo, tão dependente da ajuda dos outros. A sua vontade de viver é imensa e por isso, tocante e contagiante.

Foi nesse momento, já no final da entrevista, que pensei e acreditei: ainda o vou ver a andar!

A partir desse dia, tive necessidade de compreender melhor a sua história, por isso adquiri o seu livro que já tive o prazer de ler.
Fiquei com a ideia de que tem uma família maravilhosa, que sempre o apoiou. E que os amigos, sempre estiverem presentes, nos bons e maus momentos.

Finalmente, acedi ao site da Associação Salvador de onde retirei este endereço de correio electrónico (info@associacaosalvador.com), apenas para lhe dizer que admiro a sua coragem, sinceridade e desejo de partilha.

Até sempre!


Para saber mais sobre a Associação Salvador consulte o site http://www.associacaosalvador.com/

Era uma vez...


Era uma vez uma princesa que vivia no reino da solidão.
Um dia apareceu um príncipe que lhe ofereceu uma flor e deu-lhe a conhecer o Amor.
E a princesa nunca mais foi a mesma...

Penso e faço
Faço e penso
Terra é Terra
Céu é Céu.

Infinito prazer da vida
Infinito prazer da morte
Terra é Terra
Céu é Céu.

Morre o corpo
Vive a alma
Terra e Céu.

"Tarde Demais - Uma história de amor online em 24 capítulos"

Hoje Capítulo V - Afectos
Domingo, é dia de almoço em casa dos meus pais e jantar em casa dos meus sogros. Já nos habituámos a este ritual semanal. Para o Lourenço os domingos representam uma importante bolsa de afecto. “Está tudo bem filha?” “Sim tudo bem”. “Tem a certeza? Acho-a preocupada”. “Está tudo bem mãe, não se preocupe.” As mães têm de facto uma capacidade ímpar para conhecer os filhos, para detectar a mais simples mudança de humor. Também me acontece o mesmo com o Lourenço. Para mim é transparente. Tal como o pai. Ultimamente sinto o Paulo distante, distraído, como que alheado de tudo. Será que anda apaixonado? Sei que anda atolado de trabalho no atelier. Provavelmente estou a ser injusta. Não existem motivos para esta minha desconfiança crescente, mas tenho que arranjar forma de afastar definitivamente estas dúvidas. “Filha, a mãe disse-me que tem andado esquisita. O que é que se passa?” “Não é nada pai, eu estou bem. Sinto-me um pouco cansada, é só isso”. Como é fácil mentir. Não vale a pena preocupá-los.
Agora os meus sogros.
Mais um domingo rotineiro, sem surpresas. Tal como o resto da minha vida.

sábado, 10 de maio de 2008

Conhece os "Wordsong"?



Vale a pena!




Wordsong- Pessoa


Wordsong é um projecto multimédia em que Pedro d'Orey (Mler If Dada), Alexandre Cortez (Rádio Macau), Nuno Grácio, Filipe Valentim (Rádio Macau) e alguns artistas convidados transformam, manipulam, desconstroem e reconstroem em experiências sonoras de formato melódico-electrónico a poesia de autores portugueses. Tendo-se iniciado em 2003, com um trabalho dedicado ao poeta Al Berto, os Wordsong viram-se agora para o universo pessoano. Na sua essência, Wordsong-Pessoa é um projecto transdisciplinar que combina a música e o vídeo em torno das palavras de Fernando Pessoa. A linguagem musical inovadora, interpretando as palavras do poeta com total liberdade criativa, recriando imagens e manipulando linguagens, transpõe para este trabalho uma visão única do imaginário induzido pela poesia de Pessoa. O resultado final surge na forma de um Livro, prefaciado por Richard Zenith, com versões originais de alguns textos do poeta, e de um DADV (novo formato de dupla leitura) composto por um DVD com 12 videoclips e CD com 16 poemas ... canções.
Fonte: http://profile.myspace.com/index.cfm?fuseaction=user.viewprofile&friendID=91010146

Ler é bom

Leva-me contigo
E conhece a minha história
Ri-te comigo

É assim, que vamos ficar

Bons amigos, tu e eu
O dia de hoje e sempre de
Mãos dadas!
Diz que pensas
e não pensas
Diz que és
e não és

Diz que sentes
e não sentes
Diz que fazes
e não fazes

Morres
e não morres.

"Tarde Demais - Uma história de amor online em 24 capítulos"

Hoje Capítulo IV - Cumplicidade
“E se fossemos jantar fora?” “Foi um dia muito cansativo. Não me apetece sair.” Mais uma tentativa falhada. Gostava de passar mais tempo a sós com o Paulo, na esperança de recuperar a nossa cumplicidade. Mas pelos vistos não estamos em sintonia. Longe vão os tempos em que nem precisávamos de falar para nos compreendermos. Um dia, resolvi surpreender o Paulo e comprei bilhetes para o teatro. Fartámo-nos de rir quando descobrimos que o Paulo também tinha comprado bilhetes para a mesma peça. Acabámos por desafiar uns amigos a acompanharem-nos. Foi uma noite divertida. A seguir ao teatro, ainda fomos beber um copo e dar um pezinho de dança. Já nem me lembro da última vez que dancei. Será que ainda sei dançar?
E daquela vez que enviei um ramo de rosas vermelhas para o atelier do Paulo sem suspeitar que minutos depois, também eu recebia no meu escritório rosas vermelhas enviadas por ele.
O Paulo esqueceu-se do nosso último aniversário de casamento, e eu com a desilusão, nem sequer lhe ofereci os botões de punho. Ainda estão guardados numa gaveta. Dez anos. Estamos casados há dez anos. A maior parte dos nossos amigos já estão divorciados. Alguns até já voltaram a casar. O pior são os filhos. Com maior ou menor intensidade, os miúdos ficam sempre muito afectados. O melhor amigo do Lourenço, o Francisco é filho de pais separados (que expressão horrível) e é uma criança muito traumatizada. Atribui à mãe a culpa pela saída do pai lá de casa. E como acaba por sentir muita falta de ambos os pais, apoia-se muito em mim e no Paulo, e até costuma chamar-nos de “pais emprestados”. O Lourenço não parece sentir ciúmes do Francisco, e aceita tudo com muita naturalidade. Será que reagiria da mesma forma se tivesse um irmão? Provavelmente nunca saberemos a resposta. A não ser que engravide por acidente, como da primeira vez! Atingida a faixa dos 40, é tarde demais para voltar a ser mãe? A ideia de voltar a ser mãe nunca me seduziu. Contrariamente, o Paulo sempre desejou mais um filho. Uma vez mais, ausência de sintonia.

sexta-feira, 9 de maio de 2008

A propósito do DIA DA EUROPA


Pode a Europa subsistir sem os seus cidadãos? (escrito em Janeiro de 2008)

Aparentemente a ideia expressa neste título não faz sentido. Afinal, a Europa somos nós.

Mas se reflectirmos sobre esta questão, verificamos que o projecto europeu ainda que conduzido em nome e para os cidadãos, não está a ser efectivamente concretizado pelos cidadãos mas sim pelas instituições europeias, que os representam.
Daí que a questão ganha pertinência nos dias de hoje: “Como (re)conciliar a Europa dos cidadãos com os cidadãos da Europa”?

Senão vejamos, a encruzilhada da qual a Europa aparentemente saiu com a Assinatura do Tratado de Lisboa, no âmbito da recente Presidência Portuguesa, para voltar a enredar-se numa teia complicada: referendo europeu ou ratificação parlamentar?
Em Portugal está-se agora a decidir esta questão. Os a favor do referendo europeu consideram que é o momento ideal para discutir a Europa, os que estão a favor da ratificação parlamentar defendem que por um lado, este momento pode ser aproveitado para discutir política interna em vez de política europeia e por outro, pode ter um efeito de contágio (dominó) nos restantes Estados membros, levando-os também a referendar o Tratado de Lisboa.
O que, só por si, poderá tornar-se numa ameaça à própria Europa, ao criar abertura para o ressurgimento de novo impasse institucional, basta recordar o “Não” francês e holandês à Constituição Europeia. Será que a Europa pode voltar a correr este risco?

Terá a Europa razões para estar com medo dos seus cidadãos? A Europa enfrenta uma verdadeira “crise de identidade”.
Que paradoxo este o de uma Europa que insiste em fundamentar a sua intervenção nos cidadãos mas que surge perante eles como uma entidade abstracta e distante.

Volto então à questão de partida: “Pode a Europa subsistir sem os seus cidadãos”?
Pelos vistos, sim. Mas a questão fundamental é: será isso que nós Europeus desejamos?
Enquanto cidadã do mundo, europeia e portuguesa quero participar activamente na construção europeia, e a percepção que tenho, é que a maioria dos cidadãos europeus não é indiferente ao ideal europeu e quer comandar o seu próprio destino, o destino da Europa e naturalmente o destino do mundo.

Então, o que é que nos falta?
Uma Europa que seja capaz de interessar as pessoas e interessar-se pelas pessoas, uma Europa que saiba confiar nas pessoas e ser confiável aos seus olhos, uma Europa que se aproxima das pessoas e as entusiasma a participar e a fazer opções.

A Europa não pode progredir sem a participação activa e o acordo dos seus cidadãos. Sem este apoio, a Europa não é mais que um corpo sem alma.

A chave reside em tornar a Europa apetecível, atractiva, compreensível e perceptível ao cidadão comum europeu. A questão que se coloca é: como fazer tudo isto?

Comunicando a Europa, com as suas virtudes e fraquezas, aos cidadãos da Europa, com base no diálogo efectivo.

Só através de uma comunicação eficaz dos órgãos institucionais da União Europeia, será possível “agarrar” o cidadão.
A Europa tem que descer do pedestal e aproximar-se do cidadão comum, ouvindo-o e valorizando a sua opinião, caso contrário, a Europa até pode subsistir, mas tratar-se-á de uma Europa descaracterizada e vazia.

A Europa tem que se preocupar em estar de facto ao serviço dos seus cidadãos, para garantir o seu bem-estar económico, social e político.
A Europa tem que se assumir como a voz dos cidadãos, fazendo eco dos seus anseios e expectativas, indo ao encontro das suas necessidades, envolvendo os cidadãos e congregando esforços no sentido de uma Europa cada vez mais solidária e simultaneamente mais desenvolvida.

Precisamos de uma Europa forte, que garanta a paz, o desenvolvimento económico e social e que assegure a continuidade e o reforço do modelo social europeu para podermos ter orgulho na nossa cidadania europeia.