Hoje Capítulo VIII - Surpresa
Saio de casa sem dizer para onde vou. Guio que nem uma louca até ao atelier do Paulo. Não aguento esperar pelo elevador. Subo as escadas a correr. Uso as chaves que o Paulo me deu e entro sem fazer barulho. Não vejo luz. Que esquisito. Dirijo-me à sala do Paulo. Ninguém. As outras salas igualmente vazias. Mentiu. Não está no escritório a trabalhar. Parece-me que vejo luz na sala de reuniões. Gemidos? Não tenho coragem para entrar. Não tenho coragem. Mesmo assim empurro a porta, devagar. O meu coração bate cada vez mais depressa. Meu Deus. Meu Deus. Não pode ser. Não pode ser. O Paulo a fazer sexo com…um homem? Não é possível, não é possível. Devo ter gritado porque ambos olharam para mim perplexos. Não estão de certeza mais surpreendidos do que eu. Estou em estado de choque. Não sei o que fazer. Não estou preparada para isto. “Ísis. Ísis”. Desato a correr dali para fora. Nem controlo as minhas próprias pernas. Correm pelas escadas abaixo. Só quero fugir o mais depressa possível. Estou fora de mim. Completamente desvairada. Entro no carro e acelero. Descontrolada. A chorar. Desnorteada. Nem sei como é que consegui regressar a casa. A Luísa espera-me pacientemente de pijama e roupão sentada no sofá da sala de estar. Entro e deixo-me afundar no seu colo. Como uma criança. E choro. Choro desesperada.
Felizmente que o Lourenço já dorme tranquilo no seu quarto azul como o mar.
Felizmente que o Lourenço já dorme tranquilo no seu quarto azul como o mar.
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