Hoje Capítulo V - Afectos
Domingo, é dia de almoço em casa dos meus pais e jantar em casa dos meus sogros. Já nos habituámos a este ritual semanal. Para o Lourenço os domingos representam uma importante bolsa de afecto. “Está tudo bem filha?” “Sim tudo bem”. “Tem a certeza? Acho-a preocupada”. “Está tudo bem mãe, não se preocupe.” As mães têm de facto uma capacidade ímpar para conhecer os filhos, para detectar a mais simples mudança de humor. Também me acontece o mesmo com o Lourenço. Para mim é transparente. Tal como o pai. Ultimamente sinto o Paulo distante, distraído, como que alheado de tudo. Será que anda apaixonado? Sei que anda atolado de trabalho no atelier. Provavelmente estou a ser injusta. Não existem motivos para esta minha desconfiança crescente, mas tenho que arranjar forma de afastar definitivamente estas dúvidas. “Filha, a mãe disse-me que tem andado esquisita. O que é que se passa?” “Não é nada pai, eu estou bem. Sinto-me um pouco cansada, é só isso”. Como é fácil mentir. Não vale a pena preocupá-los.
Agora os meus sogros.
Mais um domingo rotineiro, sem surpresas. Tal como o resto da minha vida.
Agora os meus sogros.
Mais um domingo rotineiro, sem surpresas. Tal como o resto da minha vida.
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