Hoje Capítulo IV - Cumplicidade
“E se fossemos jantar fora?” “Foi um dia muito cansativo. Não me apetece sair.” Mais uma tentativa falhada. Gostava de passar mais tempo a sós com o Paulo, na esperança de recuperar a nossa cumplicidade. Mas pelos vistos não estamos em sintonia. Longe vão os tempos em que nem precisávamos de falar para nos compreendermos. Um dia, resolvi surpreender o Paulo e comprei bilhetes para o teatro. Fartámo-nos de rir quando descobrimos que o Paulo também tinha comprado bilhetes para a mesma peça. Acabámos por desafiar uns amigos a acompanharem-nos. Foi uma noite divertida. A seguir ao teatro, ainda fomos beber um copo e dar um pezinho de dança. Já nem me lembro da última vez que dancei. Será que ainda sei dançar?
E daquela vez que enviei um ramo de rosas vermelhas para o atelier do Paulo sem suspeitar que minutos depois, também eu recebia no meu escritório rosas vermelhas enviadas por ele.
O Paulo esqueceu-se do nosso último aniversário de casamento, e eu com a desilusão, nem sequer lhe ofereci os botões de punho. Ainda estão guardados numa gaveta. Dez anos. Estamos casados há dez anos. A maior parte dos nossos amigos já estão divorciados. Alguns até já voltaram a casar. O pior são os filhos. Com maior ou menor intensidade, os miúdos ficam sempre muito afectados. O melhor amigo do Lourenço, o Francisco é filho de pais separados (que expressão horrível) e é uma criança muito traumatizada. Atribui à mãe a culpa pela saída do pai lá de casa. E como acaba por sentir muita falta de ambos os pais, apoia-se muito em mim e no Paulo, e até costuma chamar-nos de “pais emprestados”. O Lourenço não parece sentir ciúmes do Francisco, e aceita tudo com muita naturalidade. Será que reagiria da mesma forma se tivesse um irmão? Provavelmente nunca saberemos a resposta. A não ser que engravide por acidente, como da primeira vez! Atingida a faixa dos 40, é tarde demais para voltar a ser mãe? A ideia de voltar a ser mãe nunca me seduziu. Contrariamente, o Paulo sempre desejou mais um filho. Uma vez mais, ausência de sintonia.
E daquela vez que enviei um ramo de rosas vermelhas para o atelier do Paulo sem suspeitar que minutos depois, também eu recebia no meu escritório rosas vermelhas enviadas por ele.
O Paulo esqueceu-se do nosso último aniversário de casamento, e eu com a desilusão, nem sequer lhe ofereci os botões de punho. Ainda estão guardados numa gaveta. Dez anos. Estamos casados há dez anos. A maior parte dos nossos amigos já estão divorciados. Alguns até já voltaram a casar. O pior são os filhos. Com maior ou menor intensidade, os miúdos ficam sempre muito afectados. O melhor amigo do Lourenço, o Francisco é filho de pais separados (que expressão horrível) e é uma criança muito traumatizada. Atribui à mãe a culpa pela saída do pai lá de casa. E como acaba por sentir muita falta de ambos os pais, apoia-se muito em mim e no Paulo, e até costuma chamar-nos de “pais emprestados”. O Lourenço não parece sentir ciúmes do Francisco, e aceita tudo com muita naturalidade. Será que reagiria da mesma forma se tivesse um irmão? Provavelmente nunca saberemos a resposta. A não ser que engravide por acidente, como da primeira vez! Atingida a faixa dos 40, é tarde demais para voltar a ser mãe? A ideia de voltar a ser mãe nunca me seduziu. Contrariamente, o Paulo sempre desejou mais um filho. Uma vez mais, ausência de sintonia.
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