domingo, 18 de maio de 2008

"Tarde Demais - Uma história de amor online em 24 capítulos"

Hoje Capítulo XII - A festa
Este sábado, foi totalmente dedicado a mim. Até cortei o cabelo. É mais fácil mudar por fora do que por dentro! Quando entrei em casa, o Lourenço ficou espantado a olhar para mim “Mãe estás fantástica”. É tão bom ouvir um elogio sincero e espontâneo do meu filho, estava a precisar. A Luísa também me fez bem ao ego “Está muito bonita Drª. Ísis”. De facto, sinto-me bem. Muito bem. Vou tomar um duche e vestir-me, não quero chegar atrasada à festa.
“Drª. Ísis, é o Dr. Paulo”. “Então, passe-me o telefone”. “Não, ele está lá em baixo. Se quiser, peço-lhe para voltar noutro dia.” “Deixe estar, diga-lhe que desço já”. Meu Deus, logo hoje. “Olá Paulo.” “Olá Ísis, estás linda!” “Obrigada”. “Não devia ter vindo sem avisar. Vais sair?” “Sim, mas ainda tenho alguns minutos”. “Queria falar-te do Lourenço. Podemos almoçar na segunda-feira?” “Sim, fica combinado”. Que sensação mais estranha ver o Paulo depois de tantos meses. Parece estar bem. E ainda mexe muito comigo. Como é possível, depois de tudo o que se passou…“Até logo, Luísa”. “Até logo Drª. divirta-se”.
Vou tentar. A casa da Joana está a abarrotar de gente. “Boa noite”. “Boa noite. Estava a ver que tinhas desistido, Ísis”. Se calhar teria sido melhor nem sequer ter aparecido. Assim que cheguei, tive a nítida sensação que não deveria ter vindo. Sinto-me deslocada. Sozinha no meio de uma multidão. “Ísis, quero apresentar-te uns amigos”. A noite até acabou por ser divertida, fartei-me de dançar. As festas da Joana costumam ser muito animadas. E esta não foi excepção. “Obrigada Joana. Gostei muito”. De regresso a casa sinto-me aliviada. Que bom este silêncio. Poder finalmente tirar os sapatos.
Conheci muitas pessoas, e tal como havia calculado, a Joana convidou os ex-namorados e serviu-os todos numa bandeja! Alguns até são bastante interessantes. Sobretudo o Jaime, um jovem pintor que passou a noite a falar comigo sobre arte. Acabámos por trocar os números de telemóvel, mas não me parece que vá ligar. É demasiado jovem. Agora vou-me deitar, sinto-me exausta.
Domingo, a rotina dos almoços nos meus pais e dos jantares nos meus sogros mantém-se. Para o Lourenço esta dose extra de mimo é muito importante. Sobretudo nesta fase. Sinto-o carente, apesar de tanto eu como o pai o cobrirmos de atenção e carinho. Também sinto-o cada vez mais triste, e o meu sentimento de culpabilidade cresce na mesma proporção. Será disto que o Paulo quer falar comigo amanhã ao almoço?
Estou tão ansiosa que tenho dificuldade em adormecer. O que é que vou levar vestido? Que disparate. Não se trata de um encontro mas de um almoço para debater questões estritamente familiares.

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