
Pode a Europa subsistir sem os seus cidadãos? (escrito em Janeiro de 2008)
Aparentemente a ideia expressa neste título não faz sentido. Afinal, a Europa somos nós.
Mas se reflectirmos sobre esta questão, verificamos que o projecto europeu ainda que conduzido em nome e para os cidadãos, não está a ser efectivamente concretizado pelos cidadãos mas sim pelas instituições europeias, que os representam.
Daí que a questão ganha pertinência nos dias de hoje: “Como (re)conciliar a Europa dos cidadãos com os cidadãos da Europa”?
Senão vejamos, a encruzilhada da qual a Europa aparentemente saiu com a Assinatura do Tratado de Lisboa, no âmbito da recente Presidência Portuguesa, para voltar a enredar-se numa teia complicada: referendo europeu ou ratificação parlamentar?
Em Portugal está-se agora a decidir esta questão. Os a favor do referendo europeu consideram que é o momento ideal para discutir a Europa, os que estão a favor da ratificação parlamentar defendem que por um lado, este momento pode ser aproveitado para discutir política interna em vez de política europeia e por outro, pode ter um efeito de contágio (dominó) nos restantes Estados membros, levando-os também a referendar o Tratado de Lisboa.
O que, só por si, poderá tornar-se numa ameaça à própria Europa, ao criar abertura para o ressurgimento de novo impasse institucional, basta recordar o “Não” francês e holandês à Constituição Europeia. Será que a Europa pode voltar a correr este risco?
Terá a Europa razões para estar com medo dos seus cidadãos? A Europa enfrenta uma verdadeira “crise de identidade”.
Que paradoxo este o de uma Europa que insiste em fundamentar a sua intervenção nos cidadãos mas que surge perante eles como uma entidade abstracta e distante.
Volto então à questão de partida: “Pode a Europa subsistir sem os seus cidadãos”?
Pelos vistos, sim. Mas a questão fundamental é: será isso que nós Europeus desejamos?
Enquanto cidadã do mundo, europeia e portuguesa quero participar activamente na construção europeia, e a percepção que tenho, é que a maioria dos cidadãos europeus não é indiferente ao ideal europeu e quer comandar o seu próprio destino, o destino da Europa e naturalmente o destino do mundo.
Então, o que é que nos falta?
Uma Europa que seja capaz de interessar as pessoas e interessar-se pelas pessoas, uma Europa que saiba confiar nas pessoas e ser confiável aos seus olhos, uma Europa que se aproxima das pessoas e as entusiasma a participar e a fazer opções.
A Europa não pode progredir sem a participação activa e o acordo dos seus cidadãos. Sem este apoio, a Europa não é mais que um corpo sem alma.
A chave reside em tornar a Europa apetecível, atractiva, compreensível e perceptível ao cidadão comum europeu. A questão que se coloca é: como fazer tudo isto?
Comunicando a Europa, com as suas virtudes e fraquezas, aos cidadãos da Europa, com base no diálogo efectivo.
Só através de uma comunicação eficaz dos órgãos institucionais da União Europeia, será possível “agarrar” o cidadão.
A Europa tem que descer do pedestal e aproximar-se do cidadão comum, ouvindo-o e valorizando a sua opinião, caso contrário, a Europa até pode subsistir, mas tratar-se-á de uma Europa descaracterizada e vazia.
A Europa tem que se preocupar em estar de facto ao serviço dos seus cidadãos, para garantir o seu bem-estar económico, social e político.
A Europa tem que se assumir como a voz dos cidadãos, fazendo eco dos seus anseios e expectativas, indo ao encontro das suas necessidades, envolvendo os cidadãos e congregando esforços no sentido de uma Europa cada vez mais solidária e simultaneamente mais desenvolvida.
Precisamos de uma Europa forte, que garanta a paz, o desenvolvimento económico e social e que assegure a continuidade e o reforço do modelo social europeu para podermos ter orgulho na nossa cidadania europeia.
Aparentemente a ideia expressa neste título não faz sentido. Afinal, a Europa somos nós.
Mas se reflectirmos sobre esta questão, verificamos que o projecto europeu ainda que conduzido em nome e para os cidadãos, não está a ser efectivamente concretizado pelos cidadãos mas sim pelas instituições europeias, que os representam.
Daí que a questão ganha pertinência nos dias de hoje: “Como (re)conciliar a Europa dos cidadãos com os cidadãos da Europa”?
Senão vejamos, a encruzilhada da qual a Europa aparentemente saiu com a Assinatura do Tratado de Lisboa, no âmbito da recente Presidência Portuguesa, para voltar a enredar-se numa teia complicada: referendo europeu ou ratificação parlamentar?
Em Portugal está-se agora a decidir esta questão. Os a favor do referendo europeu consideram que é o momento ideal para discutir a Europa, os que estão a favor da ratificação parlamentar defendem que por um lado, este momento pode ser aproveitado para discutir política interna em vez de política europeia e por outro, pode ter um efeito de contágio (dominó) nos restantes Estados membros, levando-os também a referendar o Tratado de Lisboa.
O que, só por si, poderá tornar-se numa ameaça à própria Europa, ao criar abertura para o ressurgimento de novo impasse institucional, basta recordar o “Não” francês e holandês à Constituição Europeia. Será que a Europa pode voltar a correr este risco?
Terá a Europa razões para estar com medo dos seus cidadãos? A Europa enfrenta uma verdadeira “crise de identidade”.
Que paradoxo este o de uma Europa que insiste em fundamentar a sua intervenção nos cidadãos mas que surge perante eles como uma entidade abstracta e distante.
Volto então à questão de partida: “Pode a Europa subsistir sem os seus cidadãos”?
Pelos vistos, sim. Mas a questão fundamental é: será isso que nós Europeus desejamos?
Enquanto cidadã do mundo, europeia e portuguesa quero participar activamente na construção europeia, e a percepção que tenho, é que a maioria dos cidadãos europeus não é indiferente ao ideal europeu e quer comandar o seu próprio destino, o destino da Europa e naturalmente o destino do mundo.
Então, o que é que nos falta?
Uma Europa que seja capaz de interessar as pessoas e interessar-se pelas pessoas, uma Europa que saiba confiar nas pessoas e ser confiável aos seus olhos, uma Europa que se aproxima das pessoas e as entusiasma a participar e a fazer opções.
A Europa não pode progredir sem a participação activa e o acordo dos seus cidadãos. Sem este apoio, a Europa não é mais que um corpo sem alma.
A chave reside em tornar a Europa apetecível, atractiva, compreensível e perceptível ao cidadão comum europeu. A questão que se coloca é: como fazer tudo isto?
Comunicando a Europa, com as suas virtudes e fraquezas, aos cidadãos da Europa, com base no diálogo efectivo.
Só através de uma comunicação eficaz dos órgãos institucionais da União Europeia, será possível “agarrar” o cidadão.
A Europa tem que descer do pedestal e aproximar-se do cidadão comum, ouvindo-o e valorizando a sua opinião, caso contrário, a Europa até pode subsistir, mas tratar-se-á de uma Europa descaracterizada e vazia.
A Europa tem que se preocupar em estar de facto ao serviço dos seus cidadãos, para garantir o seu bem-estar económico, social e político.
A Europa tem que se assumir como a voz dos cidadãos, fazendo eco dos seus anseios e expectativas, indo ao encontro das suas necessidades, envolvendo os cidadãos e congregando esforços no sentido de uma Europa cada vez mais solidária e simultaneamente mais desenvolvida.
Precisamos de uma Europa forte, que garanta a paz, o desenvolvimento económico e social e que assegure a continuidade e o reforço do modelo social europeu para podermos ter orgulho na nossa cidadania europeia.
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