Hoje Capítulo IX - Conversar
Não me sinto capaz de me levantar da cama. Não me sinto capaz de enfrentar o resto do mundo. Não consigo trabalhar. Refugio-me em casa.
“Bom dia Drª. Ísis. Trouxe-lhe o almoço”. “Obrigada Luísa, mas não me apetece comer nada”. “Faça um esforço Drª”. “Está bem, pode deixar a bandeja”. Não tenho vontade de comer. Não tenho vontade de fazer nada. Não consigo imaginar a minha vida daqui para a frente. A minha vida acabou. A vida que tinha desapareceu no instante em que vi o Paulo com aquele homem. Ainda não consigo acreditar no que vi. Não acredito que seja verdade. Só me apetece chorar. Como é que vou enfrentar isto? E o Lourenço?
A Luísa tem cuidado de mim e do Lourenço. O Paulo insiste em falar comigo mas tenho-me recusado a ouvi-lo. Nada do que disser poderá aliviar o meu sofrimento. Parte de mim morreu naquela noite. Nada voltará a ser como dantes. Mas tenho que falar com ele. Onde é que vou arranjar forças?
Liguei à Joana, mas faltou-me a coragem para lhe contar. Tenho que enfrentar esta situação sozinha. “Está Paulo. Precisamos conversar. Podes passar cá por casa mais tarde? Até logo.”
Tenho medo de o enfrentar. Tenho medo de o olhar nos olhos e deixar-me seduzir. Tenho medo de recuar na minha decisão. Tenho medo da influência que ainda possa exercer sobre mim, apesar de tudo.
“Olá Paulo.”
“Olá Ísis. O Lourenço?”
“O Lourenço está bem. Não se apercebeu de nada, felizmente. É óbvio que estranha o facto de não dormires cá em casa há mais de uma semana, mas disse-lhe que tinhas viajado em trabalho.”
“Eu amo-te, Ísis. O que presenciaste foi apenas sexo. Nada mais do que sexo”. “Paulo, tens noção do que estás a dizer? Não se trata de um simples caso de infidelidade. Traíste-me com um homem. Um homem.”
“Eu sei que parece estranho, mas tanto me sinto atraído por mulheres como por homens”.
“E quando é que tencionavas comunicar-me a tua bissexualidade? Somos marido e mulher há mais de dez anos. E eu, pelos vistos, nem sequer te conheço”.”
“Estou a confessá-lo agora. Eu amo-te, Ísis. Acredita”.
“Eu não consigo aceitar. Não consigo aceitar”.
“Se fosse uma mulher compreendias melhor e perdoavas-me?”
“Não sei.”
“Eu amo-te. Perdoa-me. Aquela noite não significou nada para mim”.
“Mas para mim fez toda a diferença. Quero o divórcio”.
“Eu sei que ainda me amas.”
“E eu sei que já não consigo viver contigo”.
“Tens a certeza?”
“Sim. A minha decisão está tomada.”
“Bom dia Drª. Ísis. Trouxe-lhe o almoço”. “Obrigada Luísa, mas não me apetece comer nada”. “Faça um esforço Drª”. “Está bem, pode deixar a bandeja”. Não tenho vontade de comer. Não tenho vontade de fazer nada. Não consigo imaginar a minha vida daqui para a frente. A minha vida acabou. A vida que tinha desapareceu no instante em que vi o Paulo com aquele homem. Ainda não consigo acreditar no que vi. Não acredito que seja verdade. Só me apetece chorar. Como é que vou enfrentar isto? E o Lourenço?
A Luísa tem cuidado de mim e do Lourenço. O Paulo insiste em falar comigo mas tenho-me recusado a ouvi-lo. Nada do que disser poderá aliviar o meu sofrimento. Parte de mim morreu naquela noite. Nada voltará a ser como dantes. Mas tenho que falar com ele. Onde é que vou arranjar forças?
Liguei à Joana, mas faltou-me a coragem para lhe contar. Tenho que enfrentar esta situação sozinha. “Está Paulo. Precisamos conversar. Podes passar cá por casa mais tarde? Até logo.”
Tenho medo de o enfrentar. Tenho medo de o olhar nos olhos e deixar-me seduzir. Tenho medo de recuar na minha decisão. Tenho medo da influência que ainda possa exercer sobre mim, apesar de tudo.
“Olá Paulo.”
“Olá Ísis. O Lourenço?”
“O Lourenço está bem. Não se apercebeu de nada, felizmente. É óbvio que estranha o facto de não dormires cá em casa há mais de uma semana, mas disse-lhe que tinhas viajado em trabalho.”
“Eu amo-te, Ísis. O que presenciaste foi apenas sexo. Nada mais do que sexo”. “Paulo, tens noção do que estás a dizer? Não se trata de um simples caso de infidelidade. Traíste-me com um homem. Um homem.”
“Eu sei que parece estranho, mas tanto me sinto atraído por mulheres como por homens”.
“E quando é que tencionavas comunicar-me a tua bissexualidade? Somos marido e mulher há mais de dez anos. E eu, pelos vistos, nem sequer te conheço”.”
“Estou a confessá-lo agora. Eu amo-te, Ísis. Acredita”.
“Eu não consigo aceitar. Não consigo aceitar”.
“Se fosse uma mulher compreendias melhor e perdoavas-me?”
“Não sei.”
“Eu amo-te. Perdoa-me. Aquela noite não significou nada para mim”.
“Mas para mim fez toda a diferença. Quero o divórcio”.
“Eu sei que ainda me amas.”
“E eu sei que já não consigo viver contigo”.
“Tens a certeza?”
“Sim. A minha decisão está tomada.”
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