Foi ontem lançada na Sociedade da Língua Portuguesa, a X Antologia do Círculo Nacional d' Arte e Poesia, coordenada por Maria Olívia Diniz Sampaio, com prefácio de Rosa Lapinha e capa/contracapa da autoria de José Dominguez.
Nas páginas 130 e 131 encontram-se os meus poemas “Paz Podre” e “Como?”
Paz Podre
De olhos fechados
Finges que não vês
A pobreza no meio da rua
Em cada esquina a solidão.
De olhos fechados
Finges que não vês
O olhar desabitado de amor
No rosto sulcado pelo sofrimento.
De olhos fechados
Finges que não vês
O luto carregado do poeta
Esvaziado de sonhos.
De olhos fechados
Finges que não vês
A dura desilusão
Da esperança desvanecida.
Abre os olhos
Pára de fingir que não vês.
Num mundo em que as pessoas não se olham, não se sorriem.
Num mundo em que a indiferença é regra e a solidariedade excepção.
Como é que conseguimos viver num mundo assim?
Num mundo em que é mais importante ter do que ser, em que a mentira se sobrepõe à verdade.
Num mundo em que a competitividade vence a amizade.
Como é que conseguimos viver num mundo assim?
Num mundo em que o tempo comanda a vida, e a rotina supera a criatividade.
Num mundo em que a fome é ainda uma realidade.
Como é que conseguimos viver num mundo assim?
Num mundo em que a violência é tolerada, e a justiça apenas uma palavra.
Num mundo em que o amor não vale nada.
Como é que conseguimos viver num mundo assim?
Num mundo em que a solidão é envergonhada, e a diferença sinónimo de marginalidade.
Num mundo onde não existe liberdade.
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