sexta-feira, 8 de maio de 2009

Lançamento da X Antologia do Círculo Nacional d’ Arte e Poesia, 7 de Maio









Foi ontem lançada na Sociedade da Língua Portuguesa, a X Antologia do Círculo Nacional d' Arte e Poesia, coordenada por Maria Olívia Diniz Sampaio, com prefácio de Rosa Lapinha e capa/contracapa da autoria de José Dominguez.



Nas páginas 130 e 131 encontram-se os meus poemas “Paz Podre” e “Como?”

Paz Podre

De olhos fechados

Finges que não vês

A pobreza no meio da rua

Em cada esquina a solidão.


De olhos fechados

Finges que não vês

O olhar desabitado de amor

No rosto sulcado pelo sofrimento.

 

De olhos fechados

Finges que não vês

O luto carregado do poeta

Esvaziado de sonhos.

 

De olhos fechados

Finges que não vês

A dura desilusão

Da esperança desvanecida.

 

Abre os olhos

Pára de fingir que não vês.

 

Como?

Como é que conseguimos viver num mundo assim?

Num mundo em que as pessoas não se olham, não se sorriem.

Num mundo em que a indiferença é regra e a solidariedade excepção.

 

Como é que conseguimos viver num mundo assim?

Num mundo em que é mais importante ter do que ser, em que a mentira se sobrepõe à verdade.

Num mundo em que a competitividade vence a amizade.

 

Como é que conseguimos viver num mundo assim?

Num mundo em que o tempo comanda a vida, e a rotina supera a criatividade.

Num mundo em que a fome é ainda uma realidade.

 

Como é que conseguimos viver num mundo assim?

Num mundo em que a violência é tolerada, e a justiça apenas uma palavra.

Num mundo em que o amor não vale nada.

 

Como é que conseguimos viver num mundo assim?

Num mundo em que a solidão é envergonhada, e a diferença sinónimo de marginalidade.

Num mundo onde não existe liberdade.

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