Palavras Criativas – O seu primeiro romance “O ano em que devia morrer” é autobiográfico?
Miguel Pinto – Não. «O ano em que devia morrer» é um romance baseado em factos reais, tudo o que nele foi narrado aconteceu. Tê-lo concebido como uma autobiografia, com a grande maioria dos intervenientes ainda vivos, ter-me –ia obrigado a um outro rigor cronológico e a revelar o verdadeiro nome de pessoas que poderiam correr riscos com essa exposição.
Palavras Criativas – Gostaria de regressar a Cuba?
Miguel Pinto - Gostaria, só que essa pretensão é já impossível. A Cuba onde eu gostava de regressar desapareceu, existe apenas na minha memória. Tenho a certeza de que se lá voltasse ficaria exposto a essa terrível constatação. Prefiro conservar na minha mente a recordação de uma Havana espantosamente linda, arranjada, cheia de glamour, com pessoas que sabiam misturar boa educação com simpatia, com uma alegre vida nocturna, hotéis e praias para todos, não apenas para turistas estrangeiros. Todos os meus colegas da infância, toda a minha família, a maioria dos meus colegas de profissão e os amigos deambulam no limbo de uma diáspora gigantesca, por todo o mundo. Contudo, não falo disto com a tristeza que poderia acarretar porque o exílio, como tudo, tem o seu lado positivo, levou-me a viver em vários países e a integrar a ideia de que somos cidadãos de um planeta maravilhoso, dividido por fronteiras absurdas de nacionalismos, respiramos o ar que já passou pelos pulmões de italianos, indianos, bebemos águas de nuvens vindas de África, da América. Agora, o meu país é Portugal. O nosso país é aquele onde somos felizes.

Palavras Criativas – Partilhe uma história dos tempos em que viveu em África (Angola)
Miguel Pinto - Espero não ser indelicado ao declinar o seu pedido de revelar elementos da obra. No entanto, posso adiantar que parte do livro tem como cenário Angola nos primeiros anos da sua independência. No contexto sociopolítico de um país, que deixara de ser uma colónia para se tornar refém de interesses sediados em Moscovo e Washington, conto uma história de amor cheia de tormentos e as vicissitudes de um revolucionário romântico, carregado de uma encantadora ingenuidade.
Miguel Pinto – Não. «O ano em que devia morrer» é um romance baseado em factos reais, tudo o que nele foi narrado aconteceu. Tê-lo concebido como uma autobiografia, com a grande maioria dos intervenientes ainda vivos, ter-me –ia obrigado a um outro rigor cronológico e a revelar o verdadeiro nome de pessoas que poderiam correr riscos com essa exposição.
Palavras Criativas – Gostaria de regressar a Cuba?
Miguel Pinto - Gostaria, só que essa pretensão é já impossível. A Cuba onde eu gostava de regressar desapareceu, existe apenas na minha memória. Tenho a certeza de que se lá voltasse ficaria exposto a essa terrível constatação. Prefiro conservar na minha mente a recordação de uma Havana espantosamente linda, arranjada, cheia de glamour, com pessoas que sabiam misturar boa educação com simpatia, com uma alegre vida nocturna, hotéis e praias para todos, não apenas para turistas estrangeiros. Todos os meus colegas da infância, toda a minha família, a maioria dos meus colegas de profissão e os amigos deambulam no limbo de uma diáspora gigantesca, por todo o mundo. Contudo, não falo disto com a tristeza que poderia acarretar porque o exílio, como tudo, tem o seu lado positivo, levou-me a viver em vários países e a integrar a ideia de que somos cidadãos de um planeta maravilhoso, dividido por fronteiras absurdas de nacionalismos, respiramos o ar que já passou pelos pulmões de italianos, indianos, bebemos águas de nuvens vindas de África, da América. Agora, o meu país é Portugal. O nosso país é aquele onde somos felizes.
Palavras Criativas – Partilhe uma história dos tempos em que viveu em África (Angola)
Miguel Pinto - Espero não ser indelicado ao declinar o seu pedido de revelar elementos da obra. No entanto, posso adiantar que parte do livro tem como cenário Angola nos primeiros anos da sua independência. No contexto sociopolítico de um país, que deixara de ser uma colónia para se tornar refém de interesses sediados em Moscovo e Washington, conto uma história de amor cheia de tormentos e as vicissitudes de um revolucionário romântico, carregado de uma encantadora ingenuidade.
Palavras Criativas – Fale-nos um pouco do seu próximo romance “A fronteira mais longínqua”
Miguel Pinto - Sou da opinião de que existe tanta riqueza na vida real que é um luxo e um desperdício fazer ficção pura, contudo, a ideia do assunto do meu segundo romance não foi minha, foi-me sugerida e até solicitada por amigos e muitos leitores. Todos achavam que devia escrever uma continuação do primeiro livro. Sem ter sido essa a minha intenção, tinha criado uma expectativa. «A fronteira mais longínqua», o meu próximo romance, está baseado também em factos reais, no entanto, vem acompanhada de uma história colateral que mistura acontecimentos reais com ficção, cobra uma força própria e enriquece o romance tornando-o atractivo para todos os gostos literários.

Palavras Criativas – Obrigada por não ter virado as costas ao desafio e deixe-nos uma mensagem de liberdade
Miguel Pinto - Obrigado eu. Aceitando o pedido de uma mensagem de liberdade vou deixar-vos uma interessante frase de Cícero, que refiro no meu próximo romance em relação a Cuba: «A liberdade não consiste em ter um bom amo, mas em não tê-lo».
Miguel Pinto - Sou da opinião de que existe tanta riqueza na vida real que é um luxo e um desperdício fazer ficção pura, contudo, a ideia do assunto do meu segundo romance não foi minha, foi-me sugerida e até solicitada por amigos e muitos leitores. Todos achavam que devia escrever uma continuação do primeiro livro. Sem ter sido essa a minha intenção, tinha criado uma expectativa. «A fronteira mais longínqua», o meu próximo romance, está baseado também em factos reais, no entanto, vem acompanhada de uma história colateral que mistura acontecimentos reais com ficção, cobra uma força própria e enriquece o romance tornando-o atractivo para todos os gostos literários.

Palavras Criativas – Obrigada por não ter virado as costas ao desafio e deixe-nos uma mensagem de liberdade
Miguel Pinto - Obrigado eu. Aceitando o pedido de uma mensagem de liberdade vou deixar-vos uma interessante frase de Cícero, que refiro no meu próximo romance em relação a Cuba: «A liberdade não consiste em ter um bom amo, mas em não tê-lo».
Nota: Fotografias do lançamento do livro gentilmente cedidas pelo escritor.
Na segunda fotografia, o escritor está com Mário Crespo que apresentou a obra e Henrique Mota o seu editor.
Sem comentários:
Enviar um comentário