terça-feira, 30 de junho de 2009
segunda-feira, 29 de junho de 2009
domingo, 28 de junho de 2009
5 para a Meia-Noite, na RTP2


De 2ª. a 6ª. feira: Filomena Cautela, Alvim, Nilton, Pedro Fernandes e Luís Filipe Borges.
sexta-feira, 26 de junho de 2009
quinta-feira, 25 de junho de 2009
quarta-feira, 24 de junho de 2009
Palavras Criativas entrevista…GIL DO CARMO (cantor, letrista, compositor)

Palavras Criativas – Sisal (álbum de originais) surge depois de uma paragem de 9 anos, porquê?
Gil do Carmo – Fiz os meus dois primeiros álbuns (Mil Histórias) em 1997 e (Nus Teus Olhos) em 1999, ou seja, com um ano de intervalo, muitos espectáculos e muitas solicitações sociais.Com tudo isto, tive necessidade de parar. Esta paragem coincidiu com o tornar-me tasqueiro e com o Speakeasy arranjei uma desculpa para quem me quisesse ver, que eu teria todo o gosto de receber todos os meus amigos, no que eu costumo chamar de prolongamento da minha sala de estar.
Esta pausa teve o tempo necessário para ter algo a dizer, adquirido das experiências obtidas pela vivência da própria vida!
Palavras Criativas – Na maré do fado e da morna?
Gil do Carmo – Na maré de toda a música, do mundo e de toda a informação que advenha de todas as culturas que me pareçam interessantes.
Faço uma música de fusão, partindo de uma base de cariz português para todo o mundo. Creio que o futuro da cultura e sobretudo da música será feito de fusões a nível mundial, muito interessantes.
Palavras Criativas – Música ao vivo todos os dias no bar Speakeasy, é complicado programar?
Gil do Carmo – Programar de uma forma criativa, fugindo da rotina e procurando alguma originalidade... Sim!...
Palavras Criativas – Partilha uma história do mundo artístico
Gil do Carmo – Ser artista em Portugal é uma verdadeira história...
Palavras Criativas – Obrigada por teres aceite este desafio e dá-nos música
Gil do Carmo – Obrigado! Muita e boa música!
Para saber mais sobre Gil do Carmo1 ano + 2 meses de Palavras Criativas, 25 de Junho
terça-feira, 23 de junho de 2009
segunda-feira, 22 de junho de 2009
Palavras Criativas entrevista…Maria Manuel Viana (escritora)
A leitura sempre foi muito mais importante do que a escrita. A minha vida teria sido exactamente a mesma se não tivesse escrito uma única palavra e nenhuma palavra, frase, imagem, metáfora ou parágrafo meu acrescentou o que quer que seja à literatura. É bom termos a consciência disso, mesmo quando escrevemos, mesmo quando gostamos desvairadamente do que escrevemos.
Claro que tanta lucidez, por vezes dolorosa, levará inevitavelmente à questão de por que escrevo então, mas talvez a resposta se coloque mais no quando.
Curiosamente, há poucos dias, em conversa banal, ouvi-me a mim mesma dizer: só escrevo quando estou triste. Eu não costumo dizer frases feitas, nem usar clichés, nem sequer falar muito. Sou habitualmente silenciosa e, como me sei obsessiva quando escrevo, poupo geralmente os outros à minha companhia nessas fases. Mas, mais tarde, pensando de facto na escrita dos meus 3 livros, ela correspondeu aos momentos mais difíceis da minha vida. E, ao enunciar isto, sei que não foi catártica - pelo contrário, ao contar a vida de três mulheres diferentes: Ana B., MªJoão e Isabel - foi como se eu me sentisse de repente demasiado sozinha, como se precisasse que outros que não eu soubessem aquelas estórias, como se de repente o peso fosse grande demais para mim e eu quisesse partilhá-lo. Mas eu, que até li Gide muito cedo, sei muito bem que não é com boas intenções nem com bons sentimentos que se faz boa literatura.

Palavras Criativas – Hoje ser mulher é uma ameaça ou uma oportunidade?
Maria Manuel Viana - Ser mulher nunca é uma oportunidade (excepto, naturalmente, para as oportunistas). Os números falam por si e nem me vou debruçar no que se passa no mundo: em 2008, em Portugal, 41 mulheres foram assassinadas pelos maridos ou pelos companheiros. Hoje, 22 de Junho de 2009, este número já foi ultrapassado. Ninguém mata oportunidades.
Palavras Criativas – Fala-nos da necessidade de combater a violência doméstica (ex-coordenadora do Gabinete para a Igualdade em Castelo Branco)
Maria Manuel Viana - A violência é a principal causa de morte das mulheres entre os 20 e os 55 anos (mais do que os acidentes, o cancro, a guerra). É socialmente transversal, muitas vezes invisível e a vítima culpabiliza-se. O agressor está dentro de casa, representa a autoridade - é difícil de combater. O agressor agride os filhos, a mulher, os pais. Enquanto coordenadora do gabinete, acompanhei muitos abusos de menores (que não têm voz, que são acusados de mentir, que não têm Associações e que sobretudo não votam), de mulheres (muitas delas jovens rurais, analfabetas, com gravidezes sucessivas, que nunca tinham ido a uma consulta de planeamento familiar) e muitos idosos dependentes, sequestrados e maltratados pelos filhos, mas incapazes de os denunciar por vergonha.
Continuo a trabalhar numa ONG vocacionada para os abusos de menores. Os números gritantes das estatísticas, que não são nunca notícia, falam dessa necessidade de continuar o combate.
Palavras Criativas – Abre-nos a porta da sala de aula e partilha uma história
Maria Manuel Viana - Somos habitualmente felizes, os meus alunos e eu. Entendemo-nos bem. Eles sabem que eu os respeito e que gosto deles, que me preocupo e isso é muito importante. Desde a 1ª aula que se estabelecem as regras: respeito mútuo, confiança, responsabilização. Não tento nunca substituir-me aos pais nem a um amigo mais velho - vamos aprendendo a conhecer-nos. Mas sabem que podem contar comigo, que eu sou justa, que cumpro o que prometo. Por isso, também cumprem - raramente falham. Nunca faltam às aulas, apesar de saberem que eu não marco faltas. Digo-lhes sempre que quem vai é para trabalhar, aprender, fazer - por isso, vão sempre, porque se sentem responsabilizados. Temos uma forma de gostar uns dos outros que passa pela aceitação das diferenças: eles não são de humanidades, lêem muito pouco, mas como sentem que a literatura é fundamental para mim, e porque acham que eu me esforço imenso para eles perceberem e gostarem também, empenham-se muito, e estudam, e lêem. Durante as férias, continuam a mandar mails e sms. Alguns vão para a faculdade e mantêm o contacto. É muito bonito. Às vezes, comovem-me, as mensagens.
Palavras Criativas – Obrigada por teres respondido ao desafio e deixa-nos um sentimento
Maria Manuel Viana - Um sentimento, não sei bem…talvez mais uma postura de vida, se é que a expressão não é presunçosa. O que eu penso é que, no fundo, de uma maneira ou de outra, nos espaços em que nós todos nos movemos e em que os grandes ideais ou já não fazem sentido ou já não são mesmo factíveis, há pelo menos uma coisa que cada um pode fazer e que se tornou para mim incontornável: a tentativa de que os outros sejam um bocadinho mais felizes.
Palavras Criativas entrevista Miguel Pinto -escritor cubano, cirurgião, Assist. Convidado da Fac. de Medicina de Lisboa, reside em Portugal desde 1992
Miguel Pinto – Não. «O ano em que devia morrer» é um romance baseado em factos reais, tudo o que nele foi narrado aconteceu. Tê-lo concebido como uma autobiografia, com a grande maioria dos intervenientes ainda vivos, ter-me –ia obrigado a um outro rigor cronológico e a revelar o verdadeiro nome de pessoas que poderiam correr riscos com essa exposição.
Palavras Criativas – Gostaria de regressar a Cuba?
Miguel Pinto - Gostaria, só que essa pretensão é já impossível. A Cuba onde eu gostava de regressar desapareceu, existe apenas na minha memória. Tenho a certeza de que se lá voltasse ficaria exposto a essa terrível constatação. Prefiro conservar na minha mente a recordação de uma Havana espantosamente linda, arranjada, cheia de glamour, com pessoas que sabiam misturar boa educação com simpatia, com uma alegre vida nocturna, hotéis e praias para todos, não apenas para turistas estrangeiros. Todos os meus colegas da infância, toda a minha família, a maioria dos meus colegas de profissão e os amigos deambulam no limbo de uma diáspora gigantesca, por todo o mundo. Contudo, não falo disto com a tristeza que poderia acarretar porque o exílio, como tudo, tem o seu lado positivo, levou-me a viver em vários países e a integrar a ideia de que somos cidadãos de um planeta maravilhoso, dividido por fronteiras absurdas de nacionalismos, respiramos o ar que já passou pelos pulmões de italianos, indianos, bebemos águas de nuvens vindas de África, da América. Agora, o meu país é Portugal. O nosso país é aquele onde somos felizes.
Palavras Criativas – Partilhe uma história dos tempos em que viveu em África (Angola)
Miguel Pinto - Espero não ser indelicado ao declinar o seu pedido de revelar elementos da obra. No entanto, posso adiantar que parte do livro tem como cenário Angola nos primeiros anos da sua independência. No contexto sociopolítico de um país, que deixara de ser uma colónia para se tornar refém de interesses sediados em Moscovo e Washington, conto uma história de amor cheia de tormentos e as vicissitudes de um revolucionário romântico, carregado de uma encantadora ingenuidade.
Miguel Pinto - Sou da opinião de que existe tanta riqueza na vida real que é um luxo e um desperdício fazer ficção pura, contudo, a ideia do assunto do meu segundo romance não foi minha, foi-me sugerida e até solicitada por amigos e muitos leitores. Todos achavam que devia escrever uma continuação do primeiro livro. Sem ter sido essa a minha intenção, tinha criado uma expectativa. «A fronteira mais longínqua», o meu próximo romance, está baseado também em factos reais, no entanto, vem acompanhada de uma história colateral que mistura acontecimentos reais com ficção, cobra uma força própria e enriquece o romance tornando-o atractivo para todos os gostos literários.

Palavras Criativas – Obrigada por não ter virado as costas ao desafio e deixe-nos uma mensagem de liberdade
Miguel Pinto - Obrigado eu. Aceitando o pedido de uma mensagem de liberdade vou deixar-vos uma interessante frase de Cícero, que refiro no meu próximo romance em relação a Cuba: «A liberdade não consiste em ter um bom amo, mas em não tê-lo».


















