
No próximo Domingo, VÁ VOTAR.
Palavras Criativas – Como e quando é que surgiu a ideia de criar um Clube de Reflexão Política?
Fernando Montenegro – A ideia de criar o Clube de Reflexão Política não é recente. No entanto, o seu arranque foi sendo adiado por inúmeras razões… nunca era o momento oportuno. Hoje, quando olhamos para trás vemos que esse momento ideal não existe, tal como em muitos outros momentos das nossas vidas. Decidimos pois que era chegado o tempo de dar um passo em frente. Foi o que fizemos no dia 20 de Junho de 2008. Desta forma nasceu o Clube A Linha que traduz o desejo de muitos militantes e simpatizantes do Partido Socialista em criar um fórum de debate político aberto à participação de todos, não se restringindo apenas aos militantes.
Palavras Criativas – Porquê a designação “A Linha” (por ser um Clube mais dirigido à Linha de Cascais)?
Fernando Montenegro – Sempre aprendi que a Linha (recta) é a distância mais curta entre dois pontos. Sem prejuízo de poder designar a proveniência de muitos dos seus membros (da Linha de Cascais), a designação traduz ainda o nosso compromisso de estar na Linha da Frente na construção de uma sociedade mais solidária, mais justa e coesa. Será essa a Linha justa a que nos manteremos fiéis, aprofundado a discussão e o debate político fazendo sempre o apelo à participação de todos.
Palavras Criativas – Que balanço fazes da actividade do Clube?
Fernando Montenegro – Fazer um balanço das actividades do Clube com apenas um ano de existência parece-me um pouco prematuro. No entanto, podemos afirmar, desde já, que esta experiência tem sido muito positiva para todos nós.
Palavras Criativas – No âmbito das várias iniciativas promovidas pelo Clube, partilha uma história curiosa
Fernando Montenegro – Não sei se curiosa, mas destaco uma que tanta tinta fez passar nos órgãos de comunicação social, lamentavelmente fora de contexto. Refiro-me à afirmação do subscritor da moção do Secretário-Geral, o camarada Augusto Santos Silva a propósito da expressão “malhar na direita”. A mesma ocorreu no debate organizado por nós com as três moções globais ao Congresso Nacional do PS.
Palavras Criativas – Obrigada por teres aceite este desafio e deixa-nos uma “mensagem política”
Fernando Montenegro – Arquimedes que dizia, “dai-me uma alavanca e um ponto de apoio e levantarei o mundo”. O Ponto de apoio é sem dúvida o regime democrático em que vivemos, cabendo a cada um de nós ser a alavanca que ergue o mundo, tornando-o um lugar melhor.

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António Frazão - Vejo um trabalho em progresso...
Palavras Criativas – Quando sentiste o apelo da escrita?
António Frazão - Comecei a sentir o apelo da escrita na pré-adolescência, numa altura em que me ofereceram um diário. Descobri, nessa altura, pela primeira vez, que a escrita me permitia materializar ideias, sentimentos e sonhos. Aos poucos, fui verificando que a escrita, quando temos disponibilidade para ela, é um instrumento de auto-conhecimento que nos pode encaminhar, pouco a pouco, para uma imagem cada vez mais lúcida de nós mesmos. Essa lucidez sobre nós próprios permite-nos igualmente a auto-aceitação e esta, conduz-nos, inevitavelmente a uma maior abertura a tudo aquilo que a vida nos traz.
Palavras Criativas – O teu blogue “Florescer” é para ti um vício (saudável)?
António Frazão - Os blogues são vícios saudáveis, desde que não substituam as relações humanas em presença e desde que não criem a ilusão de que a verdadeira proximidade só é possível num ambiente virtual.
Os blogues revelam sempre uma história de vida através dos textos, fotos, músicas... Em cada blogue há como que uma «impressão digital» da pessoa que o criou e que irá atrair, por empatia, alguém que se identifica com o conteúdo do mesmo. Cria-se, deste modo, uma proximidade anónima que, por vezes, as pessoas, devido ao medo de se exporem, julgam não ser possível na vida real. Os blogues sublimam, por assim dizer, o medo da rejeição que está subjacente em todos nós. Criam como que um universo paralelo em que as pessoas se permitem ser quem são numa espécie de não tempo e de não espaço.
Palavras Criativas – Revela-te numa história de vida que queiras partilhar
António Frazão – É difícil escolher uma história de vida específica… transformamo-nos a cada momento e, como a Fénix que renasce das cinzas, vamo-nos renovando ao ritmo das experiências, dos encontros e dos desencontros…
Palavras Criativas – Obrigada por teres aceite o desafio e deixa uma mensagem à blogosfera
António Frazão - Não é necessário converter o real em virtual para o vivenciar em plenitude…
Visite o “Florescer”, aqui

Palavras Criativas – O que é um “mediatrainer”?
Jorge Nuno Oliveira - É um instigador. O mediatrainer ajuda a criar numa pessoa o gosto pela sua imagem, pelo seu comportamento, pelas suas reacções, pelo seu auto-controlo. É alguém que faz as pessoas acreditarem em si próprias e a superarem-se. Tecnicamente falando, um mediatrainer é alguém que ajuda uma pessoa a comunicar melhor a sua mensagem de dimensão jornalística, sobretudo através dos meios audiovisuais. Mas eu prefiro continuar a dizer que sou um instigador, porque consigo mexer muito com as pessoas. Exponho-as, como se estivessem diante de um espelho de almas e levo-as a acreditar no que elas têm de melhor.
Palavras Criativas – Em televisão, ter uma boa imagem é determinante?
Jorge Nuno Oliveira - Pode ajudar. Mas não é determinante. O que é realmente fundamental é saber comunicar. E isso não tem a ver com a estética. Tem a ver com a capacidade de partilhar, de envolver, de seduzir e de convencer. Conheço pessoas belíssimas que mal conseguem articular uma ideia. E lembro-me de pessoas que a estética consideraria «feias» e que são comunicadores fantásticos. Quem tiver paciência para pesquisar, que procure nos arquivos um programa de TV chamado «Se bem me lembro», apresentado por Vitorino Nemésio. Ninguém se atreveria a dizer que o escritor era um homem bonito. Mas todos os que tiveram o privilégio de ver os seus programas ficavam colados ao televisor, fascinados pela sua extraordinária capacidade de comunicar.
Palavras Criativas – “As boas notícias, não são notícias”?
Jorge Nuno Oliveira - Depende… No meio em que eu trabalho, diria que não são. Numa televisão privada, comercial, temos de fornecer produtos que sejam consumidos facilmente pelo espectador. E são poucos os que se interessam pelas chamadas «boas notícias». Hoje, bombardeados por meios de comunicação que nos chegam por todos os lados, somos atraídos por tudo o que é insólito, invulgar, extraordinário. Mas eu recordo que o jornalismo nasceu e cresceu a publicar as coisas normais que aconteciam a pessoas como todos nós, e não apenas as terríveis desgraças que enlutam o mundo. Por isso, acredito que também as «boas notícias» sejam notícia. Se eu não acreditasse nisso, dificilmente poderia ser jornalista.
Palavras Criativas – Tendo em conta a sua experiência jornalística, partilhe uma história aventureira
Jorge Nuno Oliveira - Receio desiludir os leitores deste blog… Não tenho grandes aventuras para relatar. Apenas pequenos episódios, como o ter feito um directo em televisão para uma câmara a fumegar (e o directo foi para o ar!), ou ter gelado os pés em Salamanca enquanto esperava pela entrada em directo, ou ter chorado quando assisti, em directo, em Macau, à cerimónia de transferência de poder para a China e com a imagem do Governador a encostar a bandeira portuguesa, dobrada, ao coração, ou quando me escondi em sótãos para ouvir reuniões, ou de como consegui adormecer, de extremo cansaço, a bordo de um insuportavelmente ruidoso avião C130 carregado de jornalistas, ou de como lutei para conseguir um telefone em Bissau, em 1982, para enviar uma crónica para Lisboa. Mas a minha maior aventura ainda continua a ser a de ter vivido em plena revolução tecnológica, passando por evoluções da minha profissão tão diferentes como a do filme para o vídeo e, depois, o digital; ou da máquina de escrever para o computador.
Palavras Criativas – Obrigada por não ter virado as costas ao desafio e deixe-nos uma boa notícia
Jorge Nuno Oliveira - Este, sim, é o maior desafio. Mas a melhor notícia que gostaria de deixar é a de que os jornalistas vão poder continuar a denunciar as injustiças. Sempre de uma forma independente, rigorosa e imparcial. Porque esse, creio, é um dos maiores desígnios do jornalismo: ajudar a fazer deste mundo um mundo melhor.
Jorge Nuno Oliveira é Editor do Programa Diário da Tarde, do TVI24

Palavras Criativas - Porquê a boina?




Divulgação da entrevista às autoras do blog “Hoje há bolinhos no Palácio das Comadres” no Facebook e no Site do AECI 2009, via Twitter.
Palavras Criativas – Como é que surgiu a ideia de criar um blog conjunto e porquê o nome “Hoje há bolinhos no Palácio das Comadres”?
Comadres (Margarida Santos) – Uii, esta pergunta é complicada! Temos quantas páginas?!
Bem, quando frequentámos o Curso de Escrita Criativa das PF, foi criado um blog para publicação dos exercícios que íamos desenvolvendo ao longo das semanas de formação. Quando o curso terminou, houve um grupo que continuou a alimentar esse espaço com histórias dispersas, pequenos contos, enfim, com textos que nos apeteciam escrever e que se integravam na lógica de continuidade dos ensinamentos do Luís Filipe Borges e do Nuno Costa Santos. No entanto, no decorrer deste percurso, começamos a sentir a necessidade de transformar aquele espaço em algo mais pessoal, mais adaptado às nossas ambições, à forma como interagíamos umas com as outras, e vêm daí a vontade de inaugurar um novo espaço na blogosfera. Nasce assim a ideia, que dadas as características de saudável loucura e considerável bom humor que existe neste grupo, extrapolou rapidamente para um projecto de construção de personagens, os nossos alter egos, que nos permitem os maiores disparates e as línguas viperinas, tudo num clima de boa disposição e amizade, e fazendo uma das coisas que mais gostámos: escrever, escrever, escrever.
Quanto ao nome, resulta, como tudo o resto nesta iniciativa, dum brainstorming colectivo, e acaba por ser uma brincadeira com o nome do anterior blogue, o “Hoje não há bolinhos” e este novo projecto, onde o mulherio assume o estatuto de Comadres, apreciadoras dum bom chá “pingado” e bolinhos doces, os tónicos favoritos para soltar a língua de qualquer senhora de meia idade.
Eu acho que existe maior criatividade precisamente por existir maior exigência. Há sempre uma espécie de irresistibilidade em acompanhar o ritmo das restantes e em não deixar baixar a fasquia e essa irresistibilidade é, em si, um grande estímulo à criatividade. Às tantas torna-se irresistível dar seguimento a uma ideia ou contribuir de forma diferente para um tema que uma comadre lançou. As mais pequenas coisas podem despoletar grandes ideias. E essa cadeia de raciocínio conjunto é, quanto a mim, a mais-valia da escrita a várias mãos e a várias cabeças. Eu falo por mim. Ao contrário das restantes comadres, que conseguem tirar inspiração de uma simples parede branca, eu preciso de mais estímulos. E no palacete, graças ao talento das comadres, as paredes nunca são brancas. Têm sempre detalhes interessantes, cores e texturas :) São as diferentes "vozes" de cada uma que fazem do humilde palacete um espaço de debate, conversetas, cusquices, fricções, impropérios e banalidades, tal como acontece em qualquer ajuntamento de comadres que se preze.
A preparação física e a aptidão são importantes, mas existem dificuldades naturais, intrínsecas à modalidade e que exigem treino. Há que ter alguma preparação física para suportar a barreira inicial, e força braçal para passar a zona de rebentação. Depois, encontrar espaço e conceder tranquilidade ao pensamento, aguardar que a sorte, a destreza, e o mérito nos levem a apanhar a tal onda. E se o vento estiver de feição, a merecida adrenalina.
Palavras Criativas – Onde vão buscar as ideias?
Comadres (Andreia Moreira) – As ideias nascem-me de diferentes estímulos, que podem ser exteriores ou não.
Surgem por exemplo de pensamentos (instantâneos) e reflexões pessoais ou, no dia-a-dia, da observação das pessoas na rua, nos transportes públicos, das atitudes que lhes observo, ou adivinho e que me levam a imaginá-las em determinadas situações e a "construir-lhes" as respectivas vidas. Essas pessoas deixam, dessa forma, o mundo real, para fazer parte do imaginário que crio. O aspecto físico da pessoa, por si só, pode ser o ponto de partida para a personagem ou para a situação que descrevo. As ideias surgem também de sensações que um qualquer acontecimento me suscite. No caso particular das comadres foi fácil, uma vez que definimos à partida as personalidades para cada uma, o que deu o mote para encarnar a Maximina e agora ir acrescentando pormenores que a vão enriquecendo. As ideias andam no ar, nós só temos de estar atentas para as apanhar. Às vezes sinto-me uma verdadeira espia das vidas alheias. Vejo, ouço, cheiro, (pres)sinto, escrevo. É mais ou menos assim.
Há uma tendência para associar a criatividade aos grandes génios. Acho que a criatividade está nos pequenos exercícios do dia-a-dia. No combate à quase inevitável rotina. Não interessa se é a escrever num blog, a colorir t-shirts ou a fazer crochet. Não interessa se as palavras são as certas ou sequer se fazem sentido, não interessa se somos o próximo Nobel. Interessa é continuar. Com o mesmo empenho. E se houver galhofa à mistura, tanto melhor.
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