Palavras Criativas – Como é que surgiu a ideia de criar um blog conjunto e porquê o nome “Hoje há bolinhos no Palácio das Comadres”?
Comadres (Margarida Santos) – Uii, esta pergunta é complicada! Temos quantas páginas?!
Bem, quando frequentámos o Curso de Escrita Criativa das PF, foi criado um blog para publicação dos exercícios que íamos desenvolvendo ao longo das semanas de formação. Quando o curso terminou, houve um grupo que continuou a alimentar esse espaço com histórias dispersas, pequenos contos, enfim, com textos que nos apeteciam escrever e que se integravam na lógica de continuidade dos ensinamentos do Luís Filipe Borges e do Nuno Costa Santos. No entanto, no decorrer deste percurso, começamos a sentir a necessidade de transformar aquele espaço em algo mais pessoal, mais adaptado às nossas ambições, à forma como interagíamos umas com as outras, e vêm daí a vontade de inaugurar um novo espaço na blogosfera. Nasce assim a ideia, que dadas as características de saudável loucura e considerável bom humor que existe neste grupo, extrapolou rapidamente para um projecto de construção de personagens, os nossos alter egos, que nos permitem os maiores disparates e as línguas viperinas, tudo num clima de boa disposição e amizade, e fazendo uma das coisas que mais gostámos: escrever, escrever, escrever.
Quanto ao nome, resulta, como tudo o resto nesta iniciativa, dum brainstorming colectivo, e acaba por ser uma brincadeira com o nome do anterior blogue, o “Hoje não há bolinhos” e este novo projecto, onde o mulherio assume o estatuto de Comadres, apreciadoras dum bom chá “pingado” e bolinhos doces, os tónicos favoritos para soltar a língua de qualquer senhora de meia idade.
Eu acho que existe maior criatividade precisamente por existir maior exigência. Há sempre uma espécie de irresistibilidade em acompanhar o ritmo das restantes e em não deixar baixar a fasquia e essa irresistibilidade é, em si, um grande estímulo à criatividade. Às tantas torna-se irresistível dar seguimento a uma ideia ou contribuir de forma diferente para um tema que uma comadre lançou. As mais pequenas coisas podem despoletar grandes ideias. E essa cadeia de raciocínio conjunto é, quanto a mim, a mais-valia da escrita a várias mãos e a várias cabeças. Eu falo por mim. Ao contrário das restantes comadres, que conseguem tirar inspiração de uma simples parede branca, eu preciso de mais estímulos. E no palacete, graças ao talento das comadres, as paredes nunca são brancas. Têm sempre detalhes interessantes, cores e texturas :) São as diferentes "vozes" de cada uma que fazem do humilde palacete um espaço de debate, conversetas, cusquices, fricções, impropérios e banalidades, tal como acontece em qualquer ajuntamento de comadres que se preze.
A preparação física e a aptidão são importantes, mas existem dificuldades naturais, intrínsecas à modalidade e que exigem treino. Há que ter alguma preparação física para suportar a barreira inicial, e força braçal para passar a zona de rebentação. Depois, encontrar espaço e conceder tranquilidade ao pensamento, aguardar que a sorte, a destreza, e o mérito nos levem a apanhar a tal onda. E se o vento estiver de feição, a merecida adrenalina.
Palavras Criativas – Onde vão buscar as ideias?
Comadres (Andreia Moreira) – As ideias nascem-me de diferentes estímulos, que podem ser exteriores ou não.
Surgem por exemplo de pensamentos (instantâneos) e reflexões pessoais ou, no dia-a-dia, da observação das pessoas na rua, nos transportes públicos, das atitudes que lhes observo, ou adivinho e que me levam a imaginá-las em determinadas situações e a "construir-lhes" as respectivas vidas. Essas pessoas deixam, dessa forma, o mundo real, para fazer parte do imaginário que crio. O aspecto físico da pessoa, por si só, pode ser o ponto de partida para a personagem ou para a situação que descrevo. As ideias surgem também de sensações que um qualquer acontecimento me suscite. No caso particular das comadres foi fácil, uma vez que definimos à partida as personalidades para cada uma, o que deu o mote para encarnar a Maximina e agora ir acrescentando pormenores que a vão enriquecendo. As ideias andam no ar, nós só temos de estar atentas para as apanhar. Às vezes sinto-me uma verdadeira espia das vidas alheias. Vejo, ouço, cheiro, (pres)sinto, escrevo. É mais ou menos assim.
Há uma tendência para associar a criatividade aos grandes génios. Acho que a criatividade está nos pequenos exercícios do dia-a-dia. No combate à quase inevitável rotina. Não interessa se é a escrever num blog, a colorir t-shirts ou a fazer crochet. Não interessa se as palavras são as certas ou sequer se fazem sentido, não interessa se somos o próximo Nobel. Interessa é continuar. Com o mesmo empenho. E se houver galhofa à mistura, tanto melhor.
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2 comentários:
GALHOFA! É importante nunca esquecer a galhofa! Obrigada a TODAS pelas respostas, mas esta Joana... Estás lá! Bjinhos a todas as comadres. Ah e tal as tecnologias afastam, mas graças a elas vamos cimentando este comadrio que de outra forma talvez viesse a esmorecer. Estamos cá!
P.S. Comadre Santinha e tu? Não falastes filha!
(beijinhos Mónica e obrigada pela iniciativa.)
a foto de grupo não está completa!
faça favor de acrescentar
;)bjs
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