segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Da Utopia à Fronteira da Pobreza

Outra janela de liberdade, que devia possuir um programa Erasmo privativo, é a CPLP. Esta não é apenas marcada pela língua, que não é nossa, também é nossa, e que exige uma política diversificada de apoios, porque não são iguais Angola e Timor, não são iguais as exigências da língua para a China ou para o Japão: são as organizações universitárias e de investigação que devem atrair os estudantes dos seus países membros para as instituições de investigação e ensino portuguesas, como espontaneamente estas já fazem, e que designadamente fazem as instituições de ensino militar. À CPLP é indispensável a língua que não é neutra, transporta valores, e se a maneira portuguesa de estar no mundo lhe dá unidade, cada um dos povos que a fala acrescenta-lhe as suas especificidades. A Inglaterra tem o seu British Council, a França tem os seus Liceus e a Aliance Française, o Japão tem a sua Associação de Emigrantes, mas nenhuma tem uma CPLP. E também nenhuma tem presença equivalente no Atlântico Sul, a exigir uma segurança definida e articulada com o Atlântico Norte, onde o Brasil não poderá deixar de exercer uma liderança de consenso. A Universidade é indispensável a essa nova modernidade.

Adriano Moreira in Da Utopia à Fronteira da Pobreza

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