sábado, 8 de janeiro de 2011

“Quando se teve uma vida muito intensa como foi a minha é complicado escrevê-la, porque a biografia é uma espécie de justificação e, muitas vezes, é mais ficção do que realidade. Eu tenho romances baseados na minha vida que talvez sejam mais autênticos, pois estou menos inibido e perto da realidade da vida – a vida é para viver e a escrita é outra coisa. Apesar de muitos já me terem falado em registar as memórias, como a vida é feita de fragmentos e a memória muito selectiva aquilo que fica esconde o resto, e receio que, ao fazê-lo, acabe por escrever uma ficção. É um risco e eu sou uma pessoa de reserva e de pudor”.

Manuel Alegre in Uma longa viagem com Manuel Alegre de João Céu e Silva.

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