quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Palavras Criativas entrevista…Nuno Costa Santos (guionista entre outras coisas)


Palavras Criativas - Explica lá o que é isso de ser "melancómico"?


Nuno Costa Santos - Ser melancómico é tentar aceitar a melancolia da vida (que existe, não me venham cá com branqueamentos de esquina) com algum humor e delírio. E também é um personagem. Um indivíduo que deambula pelo mundo de sacos de plástico na mão. Um pouco como nós todos - mesmo que enverguemos, de vez em quando, fatos Armani.


Palavras Criativas - Tal como prometido, tens feito muitos amigos enquanto "Provedor dos Leitores" da Revista Ler?


Nuno Costa Santos - Hummm...Tenho de ir consultar a minha caixa de correio a ver se já chegou a bomba-relógio de hoje.

Palavras Criativas - Quanto à Poesia, "Os dias não estão (mesmo) para isso" (título do livro)?

Nuno Costa Santos - Os dias não estão sobretudo para grandes perdas de tempo, penso. Se calhar sou só eu. Mas de facto deixei de ter grande pachorra para este frenesim histérico-mediático, feito quase sempre com as mesmas entediantes personagens. O essencial, como dizia o outro, é invisível para os olhos. E não aparece no telejornal.


Palavras Criativas - Desnuda-te numa história retirada do baú das sessões de escrita criativa


Nuno Costa Santos - Há sempre um momento constrangedor nas aulas de escrita criativa. Que acontece quando resolvo consultar a correspondência electrónica enquanto os alunos fazem um exercício. É uma chatice: ficam a saber a minha vida privada toda. Quem me escreve. A que horas escreve. O que escreve. E toda a gente sabe que os escribas têm uma curiosidade danada. Daqui a nada chego a uma livraria e encontro um romance baseado no meu gmail.


Palavras Criativas - Obrigada pela partilha. Dá-nos um conselho criativo


Nuno Costa Santos - Escrevam, façam muito fitness literário e criativo. Em todo o caso, permite-me dizer o seguinte. Em rigor, não há conselhos criativos. A criatividade (no sentido mais puro do termo) é um território demasiado livre. É o anti-conselho.

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1 comentário:

luís filipe pereira disse...

Gostei muito da entrevista, retenho a resposta à última questão a respeito da criatividade, que é de facto "território" do que Rimbaud chama "liberdade livre" ou, nas palavras de um filósofo (porventura o mais criativo da contemporaneidade) G. Deleuze, universo da "desterritorialização".
Parabéns à Mónica Cunha pela iniciativa, tão interessante, destas pequenas entrevistas.
l. filipe pereira