terça-feira, 19 de maio de 2009

Palavras Criativas entrevista… Vanessa Godinho (correspondente em Luanda do PNETliteratura)


Estreia hoje um novo espaço informal de “conversas criativas”. Deixe-se seduzir pelas palavras dos(as) nossos(as) convidados(as).


Palavras Criativas Como é que surgiu o convite para seres correspondente do PNETliteratura?

Vanessa Godinho - Há uns anos fiz um curso de escrita criativa no Instituto Camões com o Luís Carmelo, tornamo-nos bons amigos. Entretanto regressei a Luanda e entre trocas de correspondência, quando abraçou o projecto achou por bem convidar-me, o que muito me honrou.

O Luís Carmelo é bastante responsável pela escrita que tenho hoje. A criatividade não se ensina, mas pode-se sempre melhorar a ferramenta que é a escrita. O Luís ajudou-me e muito, a aprender a observar a minha própria escrita, a podar as palavras, e a virar a minha escrita para fora.

Palavras Criativas – Viver em Luanda (Angola) é inspirador?

Vanessa Godinho - Extraordinariamente inspirador. Tenho uma relação especial e de grande afecto com a cidade. Luanda é uma cidade terrível na perspectiva em que está a ser reconstruída a uma velocidade louca, mas por outro lado, é divertida e muito viva. A ficção aqui desenha a realidade, não é o contrário, e alastra-se pelo teu dia a dia de forma muito intensa, o que pode ser tão bom quanto mau, por vezes acho que vai dar comigo em doida mas gosto na mesma.  Depois há o factor povo. O povo angolano é um povo extraordinariamente criativo na sua forma de viver, e para quem tem o prazer de escrever a vida e as suas formas, viver aqui é ouro.

Palavras Criativas – O acto de escrever é para ti um processo doloroso ou pelo contrário, uma fonte de prazer?

Vanessa Godinho – O acto de escrever e o que me move a fazê-lo é de um prazer intenso. O acto de publicar é que é doloroso. Eu sinto a literatura como o que está para além da escrita, e a escrita entendo-a, como o acto de recolha desse além. Ninguém escreve nada sem si mesmo, só se escreve o que a nossa mente, as nossas sensações e o ser, podem produzir entre a sua realidade e o seu imaginário. Depois disso o que podemos fazer com os exercícios de corte e costura, é maquiar a nossa própria pessoa dali para fora e deixar a história existir por si. Eu não sei escrever de outra maneira, e nem sei, se é possível uma pessoa escrever sem ser. Quando se é e se está com a escrita, parece-me que, os personagens, as imagens, os mundos, sentem que têm campo para passar através de ti, e então a história passa a ser de si mesma e não tua. Por isso o que acontece, é eu ir aprendendo a saber entregar os textos com menor angústia.

Palavras Criativas – Para quando um primeiro livro?

Vanessa Godinho - Tenho muitos livros entre as mãos e a imaginação, falta é terminá-los, e como isso me custa...vou adiando. Mas há um amigo meu que acha, que arranjo desculpas por ser simplesmente e em bom português, uma grande cagona (risos). Pus-me o prazo de 2009, mas já tive tantos prazos, que realmente, não sei.

Palavras Criativas – Obrigada por teres aceite este desafio e peço-te uma mensagem final

Vanessa Godinho - Quem te agradece sou eu, pela honra de inaugurar esse teu espaço de conversas. A mensagem é para ti. Continua a ser tão dourada e bonita, que o mundo agradece com certeza.

Leia o conto de Vanessa Godinho “O Voo Ordinário do Odor e das Transparências”, aqui

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