terça-feira, 28 de abril de 2009

1 comentário:

MóniKa disse...

Mónica Cunha: Que grandes desafios de governação destacaria neste intenso ano eleitoral?

Ministro Augusto Santos Silva:
Esta é fácil, Mónica, basta uma frase: prosseguir o rumo - reformas, interesse geral acima dos interesses particulares; e coragem no combate à crise, e determinação no apoio à economia, ao emprego e às famílias!

E agora me lembro de que há pouco me esqueci de inserir, no rol de compromissos já assumidos para o próximo mandato, a alteração nas deduções do IRS, para redistribuir a favor das classes médias.
Em suma, eu apostaria na equidade fiscal e na igualdade social!

Mónica Cunha: Acha que os dirigentes do PS se preocupam com a renovação do Partido?

Ministro Augusto Santos Silva:
Cara Mónica,
A resposta é afirmativa. E certamente não esperava outra coisa de mim. Mas, como sempre, digo-lhe porquê. Ao longo desta legislatura, e sem nunca perdermos de vista as responsabilidades da governação (que é o que os portugueses esperam de nós, em primeiro lugar), julgo que demos passos interessantes no sentido da modernização do Partido Socialista. Aliás, na linha da Convenção da Esquerda Democrática, de 1986, dos Estados Gerais, de 1995, e da revisão dos estatutos de 2002. O Fórum Novas Fronteiras continuou a sua actividade enquanto espaço de diálogo entre o PS e cidadãos independentes que se revêem nos nossos valores. Surgiu a Geração de Ideias, iniciativa de jovens quadros da área do Partido Socialista, que tem organizado vários encontros e debates, qualificando assim as propostas do PS. E, finalmente, aí temos a Fundação Rés Publica, que se tem afirmado como importante centro de estudo, reflexão e formação da esquerda democrática. Mas a renovação é e deve ser uma preocupação permanente: só com um partido adequado aos novos tempos poderemos continuar a modernizar Portugal.

Mónica Cunha: Relativamente à União Europeia, é a favor da “União Política”

Ministro Augusto Santos Silva:
É verdade. Sou um federalista. Não acredito numa mera Europa das Nações e do mercado único. Temos de avançar em matéria de regulação, de fiscalidade e de justiça social. Temos de falara uma só voz na cena internacional. Uma Europa unida, até pelos valores que a identificam, pode ter um papel decisivo no sentido de puxar as várias regiões para modelos de desenvolvimento mais justos e sustentáveis. E isso só se consegue com mais integração política, com mais cooperação também a nível da Defesa e da Política Externa. Por outro lado, o reforço da Europa política significará também uma maior democraticidade e um maior escrutínio público das decisões comunitárias.

Mónica Cunha: Concorda com o princípio da mesma pessoa integrar a lista às eleições europeias e simultaneamente ser candidata à Presidência de uma Câmara?

Ministro Augusto Santos Silva:
Mónica, julgo que está a pensar nas minhas camaradas Elisa Ferreira e Ana Gomes.
Quer uma quer outra estavam a desenvolver um excelente trabalho na Parlamento Europeu. Merecem por isso continuar. São pessoas com uma carreira reconhecida nacional e internacionalmente, que aceitam deixar Bruxelas e um trabalho de que muito gostam, se tiverem o privilégio de serem escolhidas pelas populações dos seus concelhos para presidirem às respectivas Câmaras Municipais. Não há nada mais transparente e mais nobre que isto.

Mónica Cunha: Acredita na possibilidade do PS atingir novamente a maioria absoluta, tendo em conta a conjuntura actual?

Ministro Augusto Santos Silva:
Olá de novo. Diria que nesta conjuntura a existência de condições de governabilidade é ainda mais importante. O pior que nos podia acontecer era acrescentarmos instabilidade política às dificuldades sociais resultantes da crise internacional. E a verdade é que, tirando o caso de 1995, só governos de maioria de um partido chegaram ao fim dos seus mandatos. Ou seja, só governos de maioria tiveram condições de estabilidade e puderam ser devidamente avaliados e responsabilizados.

Mónica Cunha: Partilhe uma “história” do seu “livro de vida política”. Obrigada. Foi um prazer.

Ministro Augusto Santos Silva:
Ó Mónica, vamos sempre tendo as nossas histórias e momentos em que nos podemos orgulhar do trabalho que fizemos. Pensando nestes quatro anos, houve momentos de grande significado político: a aprovação da lei da paridade, a despenalização da IVG, a concretização de novos direitos sociais, como o complemento solidário para idosos. Coisas que mudam para melhor a vida das pessoas.

Fonte: http://www.socrates2009.pt/Chat/Chat.aspx?chatid=1