sábado, 11 de outubro de 2008

Raiva contida


Que pena sermos empurrados sempre para o que é igual e não para o diferente. Fala-se em imaginação, em criatividade mas nada disso é efectivamente valorizado. O que se pretende é um igualitarismo massificado, nada mais. Senão vejamos: se temos um gosto diferente do usual, se apreciamos um filme ou um livro pouco comum somos incompreendidos e marginalizados. A singularidade cede lugar à banalidade. Porque dá trabalho tentar compreender e sobretudo aceitar o outro. E cada um de nós olha para o outro com desconfiança, principalmente quando não encaixa no padrão de ser que nos serve de referência.
Como se cada um de nós fosse obrigado a ser igual aos demais em tudo. Acredito e defendo que os direitos e as oportunidades devem ser comuns a todos mas aquilo que somos verdadeiramente deve ser único e singular. Não podemos ter vergonha de discordar de uma opinião, só porque muitos a defendem. Não podemos deixar de dizer o que pensamos só porque não corresponde ao pensamento generalizado. Não podemos preocuparmo-nos em ser o que esperam de nós em vez de assumir aquilo que realmente somos. Quando há coincidência, óptimo. Mas quando tal não acontece, instala-se a inquietude, o desassossego que nos conduz ao abismo e à angústia da rejeição. Afinal, quem é que não deseja ser respeitado e amado?

3 comentários:

luís filipe pereira disse...

Incontendo a sua "Raiva Contida", subscrevo tudo o que diz no seu texto. Que a Mónika luta contra essa indiferença, essa massificação, fast-food e paralisia generalizadas, este seu sítio "Palavras criativas": eis a prova.
Saudações poéticas
Luís filipe pereira

Anónimo disse...

Couldnt agree more...conviver com a diferença é em muitos casos o olho do diabo quando deveria ser coisa para anjos... beijinhos

Anónimo disse...

a proposito vanessa mandou-te o comentário anonimo (risos)