sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Os olhos da noite


Afasto-me da cidade que se silencia. As ruas estão vazias de pessoas. Muitos telhados recortam o céu. Nas casas habitadas pela memória já se acendem luzes. São os olhos da noite que entretanto chegou. Lisboa está prestes a adormecer na saudade.

1 comentário:

luís filipe pereira disse...

Parabéns Mónika: uma construção poética pautada pela serenidade dos "olhos da noite", olhos que engolem o frenesi, a pressa do dia e convocam os luzeiros do corpo e da alma a um lento adormecimento ou então a um mergulho nos "Arquipélagos da insónia" (gloso o mais recente e fascinante livro de António Lobo Antunes)que emergem, nesta sua bela prosa poemática, como ilhéus da memória, espécie de convite a um balanço do dia com o fundo olhar da noite e, ao mesmo tempo, rampa para as alvoradas do porvir.

Um abraço amigo,
luís filipe Pereira