domingo, 5 de outubro de 2008

Crónica de um espectáculo de fado (Casino do Estoril, 3 de Outubro)

O espectáculo “A Música e os Músicos” começou com o Rei do Fado seguro, a cantar sem microfone. De imediato, o burburinho ruidoso da sala desvaneceu-se e deu lugar ao silêncio…que se vai cantar o fado.

A celebrar 45 anos de carreira, Carlos do Carmo surpreendeu pela força da voz e pela emoção com que prendeu a assistência, que se rendeu ao fadista desde o primeiro minuto.

A sofisticada plateia emocionou-se com a entrega do nome maior do fado, que cantou e encantou: “Não sou alegre nem triste, sou poeta”.

Apesar de ser o grande homenageado da noite, Carlos do Carmo prestou homenagem ao amigo Mário Assis Ferreira, que sublinhou a cumplicidade entre ambos e afirmou: “Não mudamos o que somos, mudamos o que fazemos”.

Os vários músicos convidados do artista sucederam-se em palco, mas destaco a Orquestra Sinfonietta de Lisboa e os momentos altos da noite propiciados pelos fados acompanhados ao piano por António Vitorino de Almeida e harmónica por António Serrano, que confesso, me deixaram com a lágrima no canto do olho.

A noite terminou em apoteose, com Carlos do Carmo em grande forma a fechar o espectáculo tal como o iniciou. A cantar sem microfone, reforçando o tom intimista que conseguiu imprimir ao espectáculo do princípio ao fim, e com o qual envolveu e conquistou o público, que o soube escutar de coração aberto.

Que noite verdadeiramente inesquecível, com sabor a emoção e odor a saudade. Ah fadista!

Sem comentários: