PERDIDA E ACHADA
Perdi-te no hipermercado. Largaste-me a mão e correste para apanhar a tua boneca. Aquela que te ofereci nos teus anos. De repente, saíste do meu campo de visão. E a minha vida parou. Ficou suspensa por fios de pânico. E agora? Começo a correr atrás de ti. À tua procura pelos corredores. Lembro-me do dia em que me pregaste um grande susto quando te escondeste na arca da avó. Não podes estar longe. Chamo pelo teu nome. Outra vez. Juntam-se pessoas à minha volta. Está bem? Sinto-me a desmaiar de medo. Medo de te perder. A minha filha desapareceu. Vozes. Muitas vozes que se confundem na minha cabeça. Que idade tem? Como é que está vestida? Onde estás filha? Ajudem-me. Por favor, ajudem-me. Sinto-me desnorteada e impotente. Tenha calma. Quanto tempo terá passado? Acho que foram alguns instantes apenas mas a mim pareceram-me uma eternidade. Volto a gritar o teu nome. Mais uma vez. Cada vez mais alto. Já descontrolada. Desapareceste. Não conseguiria viver sem ti. Afasto o mau pensamento. Não deves estar longe. Ainda me vou rir desta situação. Não mereço isto. Só viemos comprar pão e fiambre para levares amanhã para o teu lanche. Porquê Meu Deus? Sinto o meu coração tão apertado. Até tenho dificuldade em respirar. Pára e pensa. Para onde poderá ter ido? É então que se dá o milagre. No altifalante alguém anuncia Menina procura mãe desesperada. É favor dirigir-se ao balcão do cliente. Já sorrio a antever o nosso abraço. Choro e rio ao mesmo tempo. És tudo para mim filha. Ofegante alcanço o “balcão do cliente” e vejo-te alegre, abraçada à tua boneca e nada assustada a falar com um segurança. Filha, minha filha! Mãezinha, estou aqui! Que alívio ter-te outra vez nos meus braços. Obrigada Meu Deus. Gosto muito de ti filha. E eu de ti mãe. Não voltes a fugir de mim. Prometo mãe.
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