quarta-feira, 1 de outubro de 2008

CONTOS DE DESENCONTROS


O MEU MELHOR AMIGO


Sempre fomos amigos. Na escola partilhávamos a mesma carteira e brincávamos juntos no recreio. Depois das aulas, muitas vezes, encontrávamo-nos em casa dele ou na minha para prolongarmos as nossas infindáveis brincadeiras de criança. Foi em casa dele que me apercebi pela primeira vez que queria ser mais do que um amigo. Quando me mostrou a fotografia de uma colega nossa e anunciou-me que um dia casaria com ela e eu seria o padrinho. Dei-me então conta da raiva surda que crescia dentro de mim. Tinha ciúmes daquela menina ruiva e sardenta, que não tinha piada nenhuma. Não lhe disse nada mas fiquei assustado com o que senti. Numa outra ocasião em minha casa, logo depois de ele sair, deitei-me na minha cama onde distraidamente se tinha encostado à minha almofada e abracei-me a ela à procura do seu cheiro. Não tinha dúvidas estava apaixonado. Não era propriamente uma surpresa para mim, afinal sempre que as miúdas se aproximavam de mim eu nunca sentia nada. Mas com ele era completamente diferente. Sentia-me atraído até pela sua voz. A princípio procurei esconder os meus sentimentos porque tinha medo e vergonha. Sentia-me culpado e cheguei a ter nojo de mim. Mas depois com o tempo apercebi-me que o meu amor não tinha nada de errado, era tão puro como tantos outros. Um dia, convenci-me que tinha de lhe revelar o que sentia, enchi-me de coragem e fui até sua casa. Chovia torrencialmente. Quando lá cheguei, o meu amigo preocupou-se por eu estar totalmente encharcado. Como habitualmente, fomos para o quarto e ele disse-me para despir as minhas roupas molhadas. Depois foi buscar uma toalha e entregou-ma. Entendi aquilo como um sinal. Então beijei-lhe delicadamente os lábios, sem puder evitar a tesão. Nesse dia, além do meu melhor amigo, perdi a vergonha.

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