
MAR DE LÁGRIMAS
- Mãe, conta-me a história do pai.
- Outra vez?
Na tua inocência de criança nem sequer desconfias que fui eu que inventei a história do teu pai. Para te proteger da angústia de não o teres conhecido. Para esconder a minha própria vergonha.
- O teu pai morreu no mar. Num belo dia de sol foi pescar. Pegou no seu pequeno bote baptizado de “Ilusão” e partiu sozinho para o mar. Enquanto pescava apareceu-lhe uma sereia. A sua beleza impressionou-o mas quando a sereia lhe pediu para ficar com ela no fundo do mar ele recusou. Perante a insistência da sereia, ele explicou-lhe que tinha de voltar para casa, porque eu o esperava. Furiosa a sereia jurou-lhe vingança e mergulhou à procura do Rei dos Mares. O teu pai já estava de regresso a mim, quando de repente o sol desapareceu no horizonte e sobre a sua cabeça desabou uma chuva intensa. Poderosos raios rasgavam o céu negro. O teu pai sentiu tanto medo que começou a rezar baixinho de olhos bem fechados. Foi então que uma onda gigantesca o engoliu, arrastando-o para o fundo do mar.
Sei que esta história inventada por mim te poupa da tristeza e até mesmo da revolta que sentirias se te contasse a verdadeira história do teu pai. Foi por amor que me entreguei ao teu pai mas ele enganou-me. Caso-me amanhã. E a minha vida a desmoronar-se. Do sonho desfeito nasceu uma nova vida, a tua minha filha. Esta é a nossa verdade: o teu pai morreu no mar. No mar das minhas lágrimas.
- Outra vez?
Na tua inocência de criança nem sequer desconfias que fui eu que inventei a história do teu pai. Para te proteger da angústia de não o teres conhecido. Para esconder a minha própria vergonha.
- O teu pai morreu no mar. Num belo dia de sol foi pescar. Pegou no seu pequeno bote baptizado de “Ilusão” e partiu sozinho para o mar. Enquanto pescava apareceu-lhe uma sereia. A sua beleza impressionou-o mas quando a sereia lhe pediu para ficar com ela no fundo do mar ele recusou. Perante a insistência da sereia, ele explicou-lhe que tinha de voltar para casa, porque eu o esperava. Furiosa a sereia jurou-lhe vingança e mergulhou à procura do Rei dos Mares. O teu pai já estava de regresso a mim, quando de repente o sol desapareceu no horizonte e sobre a sua cabeça desabou uma chuva intensa. Poderosos raios rasgavam o céu negro. O teu pai sentiu tanto medo que começou a rezar baixinho de olhos bem fechados. Foi então que uma onda gigantesca o engoliu, arrastando-o para o fundo do mar.
Sei que esta história inventada por mim te poupa da tristeza e até mesmo da revolta que sentirias se te contasse a verdadeira história do teu pai. Foi por amor que me entreguei ao teu pai mas ele enganou-me. Caso-me amanhã. E a minha vida a desmoronar-se. Do sonho desfeito nasceu uma nova vida, a tua minha filha. Esta é a nossa verdade: o teu pai morreu no mar. No mar das minhas lágrimas.
1 comentário:
No mar das nossas lágrimas não se perdem somente as pessoas. Resvalam através dele as nossas ilusões...silenciosas e angustiadas.Connosco fica a aprendizagem sobre a vida que nos rodeia e sobre nós próprios!
Continua a escrever minha querida amiga.Estás perto da profundidade que é necessária à tua realização pessoal.
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