sexta-feira, 25 de julho de 2008

Dia Nacional dos Avós, 26 de Julho


A propósito do Dia Nacional dos Avós, em homenagem ao meu avô materno José da Cruz Curado (falecido a 25 de Junho de 2005), reproduzo aqui o texto que em tempos lhe dediquei e que foi publicado no DN Jovem (“Gente com História”) a 26 de Março de 1996.

Retrato de um artista

Tenho o prazer de vos apresentar o meu avô: José da Cruz Curado. Homem de estatura mediana, cabelos negros, fartos, olhos meigos, bigode grisalho e sorriso aberto, num rosto sempre alegre e jovem.
Militar reformado, casado há quase 48 anos, confessa-se um eterno apaixonado.
Segundo opinião de sua mãe, e minha bisavó, quase centenária, desde tenra idade manifesta gosto pela arte. Contudo, só muito mais tarde começa a dedicar-se de corpo e alma à sua verdadeira vocação: a pintura. Inclusive, chega a tirar o curso de pintura na Escola Superior de Educação – Instituto Politécnico de Santarém. E é em 1989, prestes a festejar o seu 70º. aniversário, que realiza a sua primeira exposição individual de pintura.
Extremamente comunicativo, fala com toda a gente, mesmo com desconhecidos. Irradia simpatia e por onde passa deixa saudades. Poeta, pintor, vive num mundo à parte, impregnado de arte e beleza.
Gosta de ser apaparicado e adora receber prendas, como se fosse uma criança.
Aproveita-se de qualquer motivo – dia de aniversário, dia de Natal, dia de Páscoa, dia da mãe, dia do pai, dia dos namorados, dia disto, dia daquilo – para fazer mensagens sui generis, feitas de colagens e palavras meigas levadas até ao mais ínfimo pormenor.
Como a nossa família é bastante numerosa, acaba por passar a maior parte do seu tempo agarrado ao papel e à caneta. Mesmo sentado num café, é capaz de se aproveitar de um simples guardanapo de papel para registar ideias soltas ou esboços de desenhos, sempre com a mesma finalidade: criar mensagens cujo alvo principal é, sem dúvida, a sua idolatrada esposa, minha querida avó Isabel.
Imaginem que cata fotografias e outros adereços em todo o lado, mesmo à socapa, e tira fotocópias de tudo para guardar sabe-se lá onde, talvez no seu atelier, onde quando menos se espera se descobrem as coisas mais bizarras.
Enfim, trata-se de uma pessoa muito especial, de quem é impossível não gostar.”



Parabéns a todos os Avós do Mundo!

1 comentário:

Anónimo disse...

Prezado Senhor
Na qualidade de herdeiro do labor de minha Mãe - Ana Elisa do Couto -natural de Penafiel, pesquiso em todos os sítios ~comentários alusivos ao tema Avós.
Adorei ler a carta que dedicou aos seus avós em especial o final em que referencia "aquilo" de guardar tudo que lhe suscite atenção! Minha Mãe era exactamente igual, tudo que lhe causava atenção...pasta de arquivo!
Hoje felizmente fala-se e festeja-se o Dia Nacional dos Avós. D.Ana deu o primeiro passo, através da RTP/Norte, no ano de 1986. Daí em diante foi uma tremenda luta que por vezes era forçada a travar com políticos e eclesiásticos. Correu mundo português, cá e lá fora onde incentivava as comunidades a festejarem o dia 26 Julho. Muito antes de Maio de 2003, quando a deputada Dra Ana Manso propôs à Assembleia da República o projecto de Ana Elisa, já se comemorava a data em muitos locais Portugueses e junto de compatriotas lusos. Foi nessa altura convidada a ir ao Brasil, França, África Sul(nãofoi), Itália. Para consumação desse labor recorria a tudo e todos que entendesse terem alguma influência social ou pública. Além de ministros e seus familiares, os atletas de alta competição, cantores e fadistas, escritores,etc. O contacto de maior felicidade, foi a resposta de SS João Paulo II, deu-lhe um ánimo tremendo e numa altura em que andava um tanto abatida devido a muitas promessas e nada resolvido.
Minha Mãe faleceu em Novembro pp. O seu legado é a minha alegria, pois recordá-la-ei, sempre com o seu sorriso o qual muitas vezes era triste mas transmitia amor.
Bem haja
Respeitosamente
A J Couto Faria