segunda-feira, 2 de junho de 2008

Os Outros


Não compreendem a ternura por detrás do olhar que ficou por trocar
Os outros não sabem quem sou
Não alcançam a verdade da lágrima que ficou por chorar
Os outros não sabem quem sou
Não imaginam a tristeza encerrada no sorriso por esboçar
Os outros não sabem quem sou
Não descortinam a desilusão do sonho que não chegou a ser
Os outros não sabem quem sou
Não adivinham a emoção contida na palavra que ficou por dizer
Os outros não sabem quem sou
Não vêem a beleza escondida no gesto que não chegou a acontecer
Os outros não sabem quem sou
Porque não querem
E nem desconfiam
Que eu também não.

1 comentário:

luís filipe pereira disse...

Parabéns Mónika. o poema evoca em mim um filme: "o gosto dos outos".....e um título do filósofo Paul Ricoeur: "Soi-Même comme un autre".........os Outros que coexistem no Eu insuspeitáveis pelos Outros, também Eus cheios de Outros.Agradeço-lhe as evocações.
luís filipe pereira