sexta-feira, 2 de maio de 2008

TRILOGIA "Sei que te amei" - Parte II - Reescrever o passado

Sabes quantas vezes sonhei contigo acordada? Quantas vezes telefonei sem conseguir articular uma única palavra? Quantas vezes quis escutar a tua voz? Quantas vezes ansiei ver-te? Quantas vezes desejei estar contigo? Quantas vezes pensei em ti? Quantas vezes?
Sofri, sofri tanto. Não sabia que era possível sofrer assim, e muito menos, sobreviver.
Não te perdoou a dor nem o vazio que me causaste. Não te perdoou teres-me deixado sem uma palavra, sem uma explicação. Nem sequer uma desculpa. Num ápice, desapareceste da minha vida e apagaste o teu próprio rastro, como se nunca tivesses feito parte de mim, da minha história, da minha vida. Porquê? Já pensei em inúmeras razões, mas a dúvida persiste.
Cheguei a pensar que tudo entre nós não foi mais que um sonho, que inventei tudo, que foi uma grande mentira. Cheguei a pensar que me amaste, que te assustaste, que fugiste com medo de mim e principalmente, de ti. Acho que explorei todas as hipóteses, mas não cheguei a nenhuma conclusão.
Porquê?
Preferia ouvir da tua boca as maiores barbaridades, qualquer justificação, até a crueldade é preferível à barreira de silêncio que me impuseste. Contra o nada não se pode lutar.
Eu não merecia este castigo só por te querer. Eu não escolhi este caminho. Eu não tive oportunidade de escolher. Tu fizeste a escolha por mim, por nós. E eu não tive humildade para te implorar para ficar, não tive coragem para confessar o meu amor. Facilitei-te a fuga. Também eu tive culpa.
Lamento hoje que o meu orgulho tenha sido mais forte que o meu amor por ti. Lamento hoje não te ter exigido uma explicação. Lamento hoje ter tido vergonha do meu sentimento, por achar que não eras digno da sua grandeza. Lamento hoje ter escondido o meu desespero. Lamento hoje ter-te visto destruir, assassinar o que existia entre nós e permanecer calada. Lamento. Profundamente.
Para suportar a dor, tento convencer-me que, na realidade, não perdi nada. É impossível perder o que nunca se teve.
És fraco. És falso. És cobarde. És aldrabão. És fingido. És insensível. És despreendido. És frio. És egoísta. Só pensas em ti, na tua pseudo-independência e na tua pseudo-liberdade. És um pobre coitado que não sabe amar. Incapaz de amar. Não és especial, enganei-me. Ou melhor, fui enganada. Ou melhor ainda, deixei-me enganar.
Afinal, não me mereces.
Mas isto não chega, não é suficiente para te odiar nem para te esquecer. Por mais que eu tente arrancar-te de mim, sufocar o sentimento, apagar-te do pensamento…
Tenho saudades tuas, sinto a tua falta. Não sei como, depois de tudo, mas há razões que a razão desconhece e que apenas o coração compreende.
Alguma vez pensaste em mim? Alguma vez sofreste por mim? Alguma vez sonhaste comigo? Alguma vez?
Fui especial ou fui só mais uma?
Não sei porque razão é tão importante sentir-me única. Não sei por que razão valorizo tanto a minha singularidade, quando somos tão parecidos uns com os outros. Não sei por que razão insisto em ser diferente quando me pedem permanentemente para ser igual. Talvez por ser demasiado sensível, demasiado frágil, demasiado humana.
Amaste-me ou fingiste amar-me?
Gostava de te ouvir dizer: Sim, amei-te. Mas gostava sobretudo, de poder acreditar nessa resposta.
Talvez então, pudesse reescrever o passado e, dessa forma, aliviar a dor que me vai na alma.

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