Hoje Capítulo III - Perdida
A caminho da praia, a música bem alta para disfarçar a falta de vontade para conversar, o Lourenço a dormir como um anjinho lá atrás e eu a interrogar-me como é que chegámos até aqui? A nossa história de amor parecia perfeita, daquelas histórias que prometem um final feliz. Agora já não sei. Gostaria de morrer e nascer outra vez, noutro lugar, noutro tempo. Inspirada pela música e pelo balanço do carro, sonho que sou bebé, estou ao colo da minha mãe. Sinto-me feliz. “Ísis, acorda. Chegámos!” Que belo sonho. Toda uma vida pela frente. A possibilidade de recomeçar é deveras atraente. Mas nem as vidas nem as pessoas são descartáveis. Nem sequer me apetece sair do carro. Por mim continuava a ouvir música e retomava o meu sonho no ponto onde fui interrompida. Não se vive de sonhos mas os sonhos ajudam-nos a suportar o dia-a-dia porque nos alimentam a esperança.
Os pés na areia da praia, sabe bem, afinal foi bom sair do carro. O Lourenço a jogar à bola com o pai, atentamente observados pelo Ruca. E eu a olhar o mar. Sinto-me menos inquieta. Afinal foi bom vir. Vê-los juntos faz-me pensar que não errei em tudo. É um bom pensamento. Sempre tive medo de falhar. Um fantasma que me tem acompanhado. Quando se dá conta aos 40 anos que a nossa vida não nos satisfaz, o que fazer? Muda-se de vida ou acomodamo-nos à vida que temos? É tarde demais para mudar ou cedo demais para estar acomodado? Que dilema.
“Mãe, vamos ao banho?” “Sim, filho vamos dar um mergulho”. Nada tão bem o meu filho. Sempre gostou de água. A brincar costumo dizer que dei à luz um peixe. Sai ao pai. Não consigo compreender como é que o Paulo nunca acompanhou o filho à natação. Falta de tempo, diz ele. Falta de vontade, digo eu. Custa-me sentir que o Paulo não nos considere a sua prioridade de vida. Para mim, a família esteve sempre em primeiro lugar. Actualmente sou assaltada por tantas dúvidas que até esta minha firme convicção foi abalada. Começo a pensar que eu deveria ser a minha prioridade! Devia cuidar mais de mim, mimar-me mais e esforçar-me mais por satisfazer os meus próprios desejos. Deixei tantos sonhos para trás, nem sei bem porquê. Sei que os fui deixando cair pelo caminho. Será que ainda posso recuperar alguns?
Os pés na areia da praia, sabe bem, afinal foi bom sair do carro. O Lourenço a jogar à bola com o pai, atentamente observados pelo Ruca. E eu a olhar o mar. Sinto-me menos inquieta. Afinal foi bom vir. Vê-los juntos faz-me pensar que não errei em tudo. É um bom pensamento. Sempre tive medo de falhar. Um fantasma que me tem acompanhado. Quando se dá conta aos 40 anos que a nossa vida não nos satisfaz, o que fazer? Muda-se de vida ou acomodamo-nos à vida que temos? É tarde demais para mudar ou cedo demais para estar acomodado? Que dilema.
“Mãe, vamos ao banho?” “Sim, filho vamos dar um mergulho”. Nada tão bem o meu filho. Sempre gostou de água. A brincar costumo dizer que dei à luz um peixe. Sai ao pai. Não consigo compreender como é que o Paulo nunca acompanhou o filho à natação. Falta de tempo, diz ele. Falta de vontade, digo eu. Custa-me sentir que o Paulo não nos considere a sua prioridade de vida. Para mim, a família esteve sempre em primeiro lugar. Actualmente sou assaltada por tantas dúvidas que até esta minha firme convicção foi abalada. Começo a pensar que eu deveria ser a minha prioridade! Devia cuidar mais de mim, mimar-me mais e esforçar-me mais por satisfazer os meus próprios desejos. Deixei tantos sonhos para trás, nem sei bem porquê. Sei que os fui deixando cair pelo caminho. Será que ainda posso recuperar alguns?
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