
Na areia da praia
Estamos só os dois deitados na areia da praia. Nada trazes vestido, apenas a tua pele macia. Eu também nada trago. Completamente nus num deserto de areia.
Cheiras bem, e sabes bem, a água salgada. Dormes a meu lado como uma criança, o teu rosto deixa transparecer paz e o ritmo da tua respiração é suave. Olho-te apaixonada. Olho-te como se pela primeira vez e parece que consigo ver-te por dentro. Já ultrapassei a tua pele e consegui ir mais além, vejo-te tal como és. Sorrio e continuo a olhar-te. Abres os olhos como que adivinhando e também sorris para mim, um sorriso aberto do tamanho do mundo. Abraço-te com verdadeira ternura, afinal és meu.
Nada dizes, continuas a sorrir e olhas-me demoradamente, agora és tu que me despes com o olhar. Sinto-me transparente, sem segredos, afinal sou tua.
Se tenho que morrer que morra aqui e agora, contigo na areia da praia.
Deuses humanos
Conversamos sobre nós. Acreditas em Deus? Não. Acredito no nosso amor. Também eu. Só através do amor vivemos plenamente a nossa humanidade e de certa forma atingimos a imortalidade. Queres dizer que ao sermos homens, somos também deuses? Sim. E os deuses amam? Os que o são por serem homens que amam. Trocadilhos. Amas-me? Sim, amo-te. Tanto como eu te amo a ti? Não sei, talvez mais. Por me amares. Amas-me porque eu te amo? Sim por teres a coragem de amar um homem como eu, livre. Então não és meu? Nem sequer somos donos de nós mesmos. Eu sou tua. Não é possível, não comandamos a nossa vida, o nosso destino ultrapassa-nos. O destino somos nós que o fazemos. Tretas. Vamos dar um mergulho?
Mar azul
O mar é duma pureza azul. Gosto do azul do mar, gosto de me perder no azul do mar, gosto que a água salgada toque no meu corpo nu devagarinho, como as tuas mãos.
Deixo-me levar pela ondulação do mar azul e do outro lado do espelho vejo no céu o azul do mar, mas não me vejo reflectida no azul do mar no céu. Curioso.
Não existo. Ou melhor, sou infinitamente pequena, totalmente diluída no azul. Tu também, mas juntos somos maiores que todos os homens.
Amo-te. Não sei explicar porquê, talvez o porquê não interesse, porque te amo. Porque me fazes sentir mais eu. Porque despertas o “nós” que há em mim.
Nós, eu e tu, tu e eu confundidos num só.
Histórias
Conta-me uma história. Era uma vez um homem e uma mulher, apaixonaram-se, casaram, tiveram filhos e viveram felizes para sempre… É a nossa história? É uma história, não necessariamente a nossa. Amas-me? Sim, amo-te. Queres casar comigo? Casar para quê? E queres ter filhos comigo? Talvez, não sei. E queres viver comigo feliz para sempre? Se fosse possível…
Eu quero casar-me contigo e quero ter filhos contigo e quero viver contigo feliz para sempre, porque te amo. És uma romântica, ninguém é feliz para sempre. Porquê? Tudo é efémero. Ah, já percebi, somos deuses efémeros! Deuses humanos. Contradições. Pseudo-deuses? Que importa a terminologia, nada é eterno, nem sequer o amor que nos imortaliza. Então o amor é só uma palavra? É uma palavra com vida. Vive-a aqui e agora comigo. Sempre.
Sonho
Sonhei. Sonhei que era uma linda rosa vermelha. Que o meu perfume suave, e as minhas pétalas delicadas, chamavam por ti… Eu também entro no sonho? Claro, mas não respondes. Desejas-me mas foges de mim. Continuo a chamar por ti, finges que não me ouves, ignoras-me apesar de me achares irresistível. A minha fragilidade assusta-te. Que disparate. Queres tocar-me mas não consegues, queres ter-me nas tuas mãos, mas sentes-te impotente. Porquê? Tens medo da rosa vermelha. Medo de quê? De ser picado pela rosa vermelha. O teu sonho não faz sentido. Afinal, é só um sonho.
Lua
A magia da noite está na lua, o seu poder de atracção é imediato. Basta olhar para a lua para nos rendermos aos seus mistérios. A lua mexe comigo, nunca percebi porquê, há coisas que pura e simplesmente não têm explicação. Hoje sinto que é noite de lua cheia, está linda, não está? Magnífica. Sentes alguma coisa estranha. O quê? Sei lá, uma sensação fora do comum, uma disposição diferente… Sim, realmente sinto uma grande leveza. Tens vontade de voar? Sim, apetece-me voar. Dá-me a tua mão, vamos voar juntos.
Desejos
Tens vontade de estar com outras mulheres? Às vezes. Porquê? Porque sinto desejo. E tu, tens vontade de estar com outros homens? Às vezes, mas nunca concretizo o desejo. Porque não tens coragem? Porque me sinto culpada. Como é que te posso amar e ao mesmo tempo desejar outro?
Musicalidades
Queres dançar? Não há música. Escuta a musicalidade das ondas, do vento, dos pássaros e até dos nossos corações… uma verdadeira orquestra. Só oiço o silêncio. Fecha os olhos, descontrai-te, deixa-te ir. Então, ainda o silêncio? Não, só a orquestra.
Morte
Tens medo da morte? Nem por isso. Eu tenho, mas o que mais me apavora é morrer sozinha. Porquê? Enfrentar o desconhecido a dois deve ser menos assustador. Mais assustadora que a morte é a vida. Como assim? Viver é desafiar quotidianamente a morte, é estar permanentemente em risco, é conviver diariamente com a incerteza da vida porque a nossa única certeza é a morte.
Lado a lado
Dá-me a tua mão. A tua mão é forte e segura. Decidida. Vamos passear? Caminhamos lado a lado, de mãos dadas. Até onde? Que importa até onde, o que interessa é não parar.
Afinal, onde estamos? Não sei. Em lugar nenhum.
Estamos só os dois deitados na areia da praia. Nada trazes vestido, apenas a tua pele macia. Eu também nada trago. Completamente nus num deserto de areia.
Cheiras bem, e sabes bem, a água salgada. Dormes a meu lado como uma criança, o teu rosto deixa transparecer paz e o ritmo da tua respiração é suave. Olho-te apaixonada. Olho-te como se pela primeira vez e parece que consigo ver-te por dentro. Já ultrapassei a tua pele e consegui ir mais além, vejo-te tal como és. Sorrio e continuo a olhar-te. Abres os olhos como que adivinhando e também sorris para mim, um sorriso aberto do tamanho do mundo. Abraço-te com verdadeira ternura, afinal és meu.
Nada dizes, continuas a sorrir e olhas-me demoradamente, agora és tu que me despes com o olhar. Sinto-me transparente, sem segredos, afinal sou tua.
Se tenho que morrer que morra aqui e agora, contigo na areia da praia.
Deuses humanos
Conversamos sobre nós. Acreditas em Deus? Não. Acredito no nosso amor. Também eu. Só através do amor vivemos plenamente a nossa humanidade e de certa forma atingimos a imortalidade. Queres dizer que ao sermos homens, somos também deuses? Sim. E os deuses amam? Os que o são por serem homens que amam. Trocadilhos. Amas-me? Sim, amo-te. Tanto como eu te amo a ti? Não sei, talvez mais. Por me amares. Amas-me porque eu te amo? Sim por teres a coragem de amar um homem como eu, livre. Então não és meu? Nem sequer somos donos de nós mesmos. Eu sou tua. Não é possível, não comandamos a nossa vida, o nosso destino ultrapassa-nos. O destino somos nós que o fazemos. Tretas. Vamos dar um mergulho?
Mar azul
O mar é duma pureza azul. Gosto do azul do mar, gosto de me perder no azul do mar, gosto que a água salgada toque no meu corpo nu devagarinho, como as tuas mãos.
Deixo-me levar pela ondulação do mar azul e do outro lado do espelho vejo no céu o azul do mar, mas não me vejo reflectida no azul do mar no céu. Curioso.
Não existo. Ou melhor, sou infinitamente pequena, totalmente diluída no azul. Tu também, mas juntos somos maiores que todos os homens.
Amo-te. Não sei explicar porquê, talvez o porquê não interesse, porque te amo. Porque me fazes sentir mais eu. Porque despertas o “nós” que há em mim.
Nós, eu e tu, tu e eu confundidos num só.
Histórias
Conta-me uma história. Era uma vez um homem e uma mulher, apaixonaram-se, casaram, tiveram filhos e viveram felizes para sempre… É a nossa história? É uma história, não necessariamente a nossa. Amas-me? Sim, amo-te. Queres casar comigo? Casar para quê? E queres ter filhos comigo? Talvez, não sei. E queres viver comigo feliz para sempre? Se fosse possível…
Eu quero casar-me contigo e quero ter filhos contigo e quero viver contigo feliz para sempre, porque te amo. És uma romântica, ninguém é feliz para sempre. Porquê? Tudo é efémero. Ah, já percebi, somos deuses efémeros! Deuses humanos. Contradições. Pseudo-deuses? Que importa a terminologia, nada é eterno, nem sequer o amor que nos imortaliza. Então o amor é só uma palavra? É uma palavra com vida. Vive-a aqui e agora comigo. Sempre.
Sonho
Sonhei. Sonhei que era uma linda rosa vermelha. Que o meu perfume suave, e as minhas pétalas delicadas, chamavam por ti… Eu também entro no sonho? Claro, mas não respondes. Desejas-me mas foges de mim. Continuo a chamar por ti, finges que não me ouves, ignoras-me apesar de me achares irresistível. A minha fragilidade assusta-te. Que disparate. Queres tocar-me mas não consegues, queres ter-me nas tuas mãos, mas sentes-te impotente. Porquê? Tens medo da rosa vermelha. Medo de quê? De ser picado pela rosa vermelha. O teu sonho não faz sentido. Afinal, é só um sonho.
Lua
A magia da noite está na lua, o seu poder de atracção é imediato. Basta olhar para a lua para nos rendermos aos seus mistérios. A lua mexe comigo, nunca percebi porquê, há coisas que pura e simplesmente não têm explicação. Hoje sinto que é noite de lua cheia, está linda, não está? Magnífica. Sentes alguma coisa estranha. O quê? Sei lá, uma sensação fora do comum, uma disposição diferente… Sim, realmente sinto uma grande leveza. Tens vontade de voar? Sim, apetece-me voar. Dá-me a tua mão, vamos voar juntos.
Desejos
Tens vontade de estar com outras mulheres? Às vezes. Porquê? Porque sinto desejo. E tu, tens vontade de estar com outros homens? Às vezes, mas nunca concretizo o desejo. Porque não tens coragem? Porque me sinto culpada. Como é que te posso amar e ao mesmo tempo desejar outro?
Musicalidades
Queres dançar? Não há música. Escuta a musicalidade das ondas, do vento, dos pássaros e até dos nossos corações… uma verdadeira orquestra. Só oiço o silêncio. Fecha os olhos, descontrai-te, deixa-te ir. Então, ainda o silêncio? Não, só a orquestra.
Morte
Tens medo da morte? Nem por isso. Eu tenho, mas o que mais me apavora é morrer sozinha. Porquê? Enfrentar o desconhecido a dois deve ser menos assustador. Mais assustadora que a morte é a vida. Como assim? Viver é desafiar quotidianamente a morte, é estar permanentemente em risco, é conviver diariamente com a incerteza da vida porque a nossa única certeza é a morte.
Lado a lado
Dá-me a tua mão. A tua mão é forte e segura. Decidida. Vamos passear? Caminhamos lado a lado, de mãos dadas. Até onde? Que importa até onde, o que interessa é não parar.
Afinal, onde estamos? Não sei. Em lugar nenhum.
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